Publicado em 12/09/2017 10h36

Em delação, Funaro relata encontros com Temer

Lobista diz ter levantado R$ 100 milhões para PMDB em três eleições

R7

Funaro seria o operador de propinas no PMDB
31.07.2014/HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO CONTEÚDO Funaro seria o operador de propinas no PMDB
31.07.2014/HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO CONTEÚDO

Em delação que embasou parte do relatório da Polícia Federal sobre o "quadrilhão do PMDB da Câmara", o doleiro Lúcio Funaro, operador financeiro do partido, afirmou que esteve com o presidente Michel Temer em três ocasiões. Ele citou um encontro na base aérea de São Paulo, outro durante comício em Uberaba (MG) nas eleições municipais de 2012 e uma terceira numa reunião de apoio à candidatura de Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo, também em 2012. Na época, Temer era vice-presidente.

A delação de Funaro já foi homologada pelo ministro Edson Fachin do Supremo Tribunal Federal, mas permanece em sigilo.

O corretor, que está preso desde julho de 2016 no Complexo Penitenciário da Papuda, disse que trabalhou na arrecadação de dinheiro para as campanhas do PMDB em 2010, 2012 e 2014 e estima ter conseguido R$ 100 milhões para o partido e outras siglas coligadas nesse período.

Até hoje, Temer só havia admitido um encontro com o corretor, na base aérea. Segundo Funaro, em dois dos encontros o agora presidente estava acompanhado do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba pela força-tarefa da Lava Jato.

Funaro é testemunha-chave em processos que envolvem o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e os ex-ministros Henrique Eduardo Alves e Geddel Vieira Lima, além do presidente Temer.

Ele é processado pela Justiça Federal em Brasília em três investigações da PF (Polícia Federal) — Greenfield, Sépsis e Cui Bono? — que envolvem suspeitas de desvios de recursos públicos e fraudes na administração de quatro dos maiores fundos de pensão de empresas públicas do País: Funcef (Caixa), Petros (Petrobras), Previ (Banco do Brasil) e Postalis (Correios).

O empresário também foi citado nas delações da JBS, no âmbito da Lava Jato. O acionista Joesley Batista narrou em sua delação pagamentos por negócios relacionados ao Ministério de Agricultura. O primeiro pagamento na Agricultura ocorreu quando houve a liberação para a exportação de despojos animais. De acordo com Joesley, a JBS nem havia pleiteado a medida, mas foi cobrada em R$ 2 milhões por Funaro.

MP dos Portos

A relação entre Temer e Cunha foi outro tema abordado na delação. Conforme o corretor, ambos atuaram durante a tramitação da Medida Provisória dos Portos para defender interesses de grupos privados aliados. O delator afirmou que Temer articulou a indicação do ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi para a presidência do Porto de Santos (SP).

De acordo com a colaboração de Funaro, Temer também tinha conhecimento do pagamento de propina pela Odebrecht por contrato da Diretoria Internacional da Petrobras. O corretor disse que quem lhe passou a informação foi Cunha.

Em nota, o presidente afirmou que "não tem relação pessoal com Lúcio Funaro" e, "se esteve com ele, foi de maneira ocasional e, se o cumprimentou, foi como cumprimenta milhares de pessoas". A Odebrecht diz colaborar com as investigações. Os outros citados por Funaro não foram localizados pela reportagem. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Envie seu Comentário