Correios aprovam empréstimo de R$ 20 bilhões para evitar colapso financeiro

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Correios avançam em empréstimo de R$ 20 bi, mas decisão final cabe à Fazenda (Foto: Correios)

Operação ainda depende do aval da Fazenda e integra plano de reestruturação com demissões, fechamento de agências e venda de imóveis

O conselho de administração dos Correios aprovou a contratação de um empréstimo de R$ 20 bilhões junto a um conjunto de bancos públicos e privados. A informação foi confirmada à CNN Brasil por integrantes da alta cúpula da estatal, que tenta reequilibrar suas contas após sucessivos déficits.

Apesar da aprovação interna, o empréstimo ainda depende do aval do Ministério da Fazenda. A operação será analisada pelo Tesouro Nacional — que atuará como garantidor — e pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Somente após esse trâmite o financiamento poderá ser oficializado.

Segundo apuração, o pool de bancos envolvidos na operação inclui Citibank, Banco do Brasil, BTG Pactual, ABC Brasil e Safra. Em nota, o BTG Pactual informou que não comentaria o assunto. As demais instituições foram procuradas, mas não responderam até o fechamento deste texto.

Repasses em parcelas e carência até 2027

A operação financeira deve ser fatiada, com liberação dos recursos em duas ou mais parcelas. A estratégia busca evitar que o montante permaneça parado no caixa da estatal, acumulando juros sem necessidade imediata, já que grande parte do dinheiro será efetivamente usada apenas em 2026. O prazo total de pagamento deve chegar a 15 anos.

O plano dos Correios prevê que a estatal volte a registrar lucro apenas a partir de 2027. Por isso, o início da quitação do empréstimo deve ter carência mínima de dois anos, período em que a empresa espera consolidar seu processo de reestruturação.

Reestruturação inclui demissões e fechamento de unidades

O empréstimo integra o pacote de medidas anunciado em 15 de outubro para recuperar a saúde financeira da estatal. A reestruturação engloba um programa de demissão voluntária, a venda de imóveis e o fechamento de até mil agências consideradas deficitárias, além da remodelagem dos planos de saúde dos funcionários.

No último dia 21, os Correios aprovaram um conjunto de ações emergenciais para garantir estabilidade pelos próximos 12 meses. O objetivo é equilibrar as contas em 2025 e 2026 e preparar terreno para um novo ciclo de sustentabilidade financeira.

Os desafios, porém, são expressivos. Até setembro, o rombo acumulado pelos Correios triplicou, chegando a R$ 6 bilhões. Somadas, as estatais federais registram déficit de R$ 6,2 bilhões, pressionando o caixa do governo e reforçando a necessidade de medidas estruturantes.

A expectativa agora é pelo parecer da Fazenda, que determinará se a estatal terá acesso ao crédito bilionário necessário para seguir com o plano de reestruturação.