Paraguai

Chefe da Polícia é demitido após traficante brasileiro matar jovem na cela

O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez anunicou a troca do comando, neste domingo (18), através de sua conta no Twitter

 

18/11/2018 15h21
Por: Redação

 
A vítima é a argentina Lidia Meza Burgos, de 18 anos. Reprodução A vítima é a argentina Lidia Meza Burgos, de 18 anos. Reprodução

O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez anunicou neste domingo (18), através de sua conta no Twitter, segundo o o jornal paraguaio "ABC Color", a troca de comando na Polícia Nacional do Paraguai.

O anuncio foi feito após o presidente se reunir com seu Conselho de Segurança Interna para tratar do assassinato de uma mulher, cometido pelo traficante carioca Marcelo Pinheiro Veiga, o Marcelo Piloto.

Além de Báez, Abdo Benítez também demitiu o subcomandante da Polícia Nacional, Luis Cantero. As decisões foram anunciadas na manhã de hoje após uma reunião do Conselho de Segurança do país.

"Tomamos a decisão de substituir o comandante e o subcomandante da Polícia Nacional", anunciou Abdo Benítez no Twitter.

O crime foi cometido por Piloto dentro do quartel onde está preso. A vítima é a argentina Lidia Meza Burgos, de 18 anos, morta com 16 facadas. Ela visitava Piloto pela segunda vez, para um encontro a sós na cela.

Segundo informou ABC Color, o ministro do Interior, Juan Ernesto Villamayor, anunciou que o chefe de polícia Gregorio Walter Vázquez Alderete será o novo comandante da polícia nacional. Já Eladio Sanabria Morán será o novo subcomandante.

Depois do crime, o próprio advogado de Piloto afirmou que agora seu cliente precisará ser julgado por homicídio, e que isso deve impedir sua extradição para o Brasil.

Através de sua conta no Twitter, a ministra da Mulher do Paraguai, Nilda Romero, expressou seu repúdio ao caso e cobrou a investigação e punição dos envolvidos. "Como instituição que salvaguarda a proteção dos direitos das mulheres, não toleramos a violência perpetrada contra as mulheres em nenhuma de suas formas. Lembramos também que o Ministério da Mulher coloca à disposição das mulheres vítimas de violência serviços de assistência social, psicológica e jurídica. Basta de violência contra as mulheres! " escreveu a ministra.

A extradição de Piloto foi concedida em 30 de setembro, mas ele recorreu e agora é analisada em segunda instância. Até então, o Ministério do Interior do Paraguai acreditava que seu retorno ao Brasil pudesse ocorrer ainda este mês, já que os crimes que cometera por lá (falsificação de documentos e homicídio) são considerados de fácil conclusão.

Execução

No dia 12, a sócia do advogado de Marcelo Piloto, Laura Marcela Casuso, foi executada em Pedro Juan Caballero. Ela também defendia outro narcotraficante brasileiro, Jarvis Pavão, e chegou a atuar em processos de Piloto, em parceria com Jorge Prieto, segundo o promotor do Ministério Público paraguaio.

A advogada tinha 54 anos. De acordo com a polícia paraguaia, Laura Casuso participava de uma reunião com um grupo de mulheres em um bairro afastado da região central de Pedro Juan Caballero. Na saída, ela foi abordada por um homem encapuzado que atirou várias vezes e fugiu em uma caminhonete preta.

A Polícia Nacional do Paraguai não descarta nenhuma hipótese no assassinato, nem mesmo uma possível queima de arquivo.

De acordo com a polícia, a advogada foi a responsável por convocar a imprensa para um encontro com Marcelo Piloto no quartel onde o narcotraficante está preso, no último dia 5.

Na ocasião, Piloto denunciou a ligação de policiais com o crime organizado. O traficante disse estar pagando por proteção ao comissário de polícia Abel Cañete. A acusação gerou uma crise na polícia paraguaia.

No fim de outubro, o Ministério do Interior do Paraguai revelou que impediu um plano para tentar liberar o traficante com o uso de um veículo lotado de explosivos. Três homens, que seriam integrantes do Comando Vermelho, foram mortos em uma operação da polícia local.

No Brasil, Piloto é requerido pela Vara de Execuções Penais (VEP) do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para cumprir duas sentenças pelas quais foi condenado a 21 anos de reclusão em um dos casos e a cinco anos e quatro meses no outro.

Piloto está preso no Paraguai desde dezembro de 2017, quando foi detido na cidade de Encarnación após uma operação internacional conjunta entre várias agências. (Com informações O Sul e EFE)

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