Políticas Públicas

Em ato de protesto, estudantes da UFMS retomam o Diretório Estudantil

Sem conseguir diálogo com a reitoria, os estudantes ocuparam o DCE na noite de ontem (13) e ainda permanecem no local com outras reivindicações

 

14/03/2019 15h08
Por: Suelen Morales

 
Fotos: Suelen Morales Fotos: Suelen Morales

De forma pacifica e organizada, os estudantes de diversos cursos da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) ocuparam o DCE (Diretório Central Estudantil), que estaria com as portas fechadas e as fechaduras trocadas desde o dia 26 de fevereiro.

O advogado do DCE, Gialyson Corrêa de 27 anos, explica que segundo a resolução 97/2015 o espaço é de legitimidade dos estudantes e qualquer intercorrência deveria ter sido notificada com 30 dias de antecedência. Ainda assim, eles teriam o prazo de um ano para desocupar o local. O próximo passo é entrar com um mandado de segurança.

"Até o momento não houve nenhuma intervenção. Inclusive no ato da ocupação do espaço que é deles por direito, houve a presença de um representante da instituição que tirou fotos, garantindo assim que não houve nenhuma pichação ou depredação. A ocupação foi pacifica e os estudantes fizeram uma manifestação pelos corredores da universidade antes da ocupação" contou o advogado.

A acadêmica de Pedagogia e militante dos Direitos Humanos, Agnes Viana de 21 anos, encabeçou o ato de retomada do DCE garantindo que a luta não pode acabar. Ela relembra as grandes conquistas do diretório.

"Nós retomamos a sede do DCE pois não se ocupa aquilo que é nosso, o DCE nos pertence. Há 27 anos a sede abriga o movimento estudantil, foi aqui que garantimos muitos direitos como o restaurante universitário, inclusive no período noturno; o aumento do número de bolsas, a política do passe estudantil, dentre outras. Não é pelo espaço físico e sim por sua importância histórica, pela memória das pessoas que viram antes de nós e pela projeção das pessoas que virão. É disso que a juventude precisa, um espaço acolhedor com cultura, esporte, lazer e aberto a debates políticos", explica.

A estudante quilombola do curso de Letras, Cristhiane Riberio Alves de 19 anos, manifestou seu apoio ao movimento e acredita que a juventude precisa de representatividade, principalmente para superar as desigualdades sociais.

"Os quilombolas aqui na universidade chegam a dez no máximo. O grande problema que enfretamos é a igualdade entre aspas, lá fora também precisa de igualdade. A maioria que chega aqui não sabe usar um computador, na comunidade não tem e isso não é igualdade. A minha comunidade, por exemplo, fica a 36 km do mercadinho mais próximo, por isso existe a subsistência. Pretendemos montar um conselho com os quilombolas e indígenas para ocupar esse espaço que é nosso por direito", afirmou Cristhiane.

A professora da UEMS, Maria de Lourdes Silva, mais conhecida como ‘Lurdinha’ também fez questão de falar sobre a política de cotas.

"Estou professora numa universidade que foi a primeira a ter políticas de cotas para negros. Ainda hoje, caminhamos com muita dificuldade, pois as ações afirmativas enfrentam muitos questionamentos, principalmente por estarmos num Estado onde sabemos da existência de uma elite agrícola que articula para atingir as populações que eles consideram fora do humano", manifestou-se.

Marielle presente! Sempre!

Paralelo ao ato, os estudante também lembraram do aniversário de morte de Marielle Franco com o tema "Por que mataram a Marielle Franco?", entrando assim para a agenda nacional de protestos em decorrência de seu assassinato.

"Marielle era um corpo político, ela falava muito antes de abrir a boca num espaço. Era uma mulher preta, da periferia, LGBT, mãe solo e que ousou mover as estruturas e entrar na política. Tentaram calar a voz da Marielle com o assassinato, mas não sabiam que ela era uma semente. E hoje, mesmo que o assassinato tenha sido uma intimidação aos movimentos sociais, aos militantes que lutam pelas minorias, nós mostramos que não nos calaremos. Não aceitamos mais que só eles ocupem o poder. Se poder é bom, a juventude também quer poder", afirma Agnes.

Colabore Os estudantes estão arrecadando itens básicos para permanecerem na ocupação, como alimentos de fácil preparo, colchões ou colchonetes e cobertores. As doações devem ser entregues na sede do DCE que fica no corredor central ao lado do Banco do Brasil.

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