Ouro de Ofir
Publicado em 16/04/2018 11h45

Supremo nega novo habeas corpus a suspeitos de aplicarem golpe em pelo menos 25 mil pessoas no país

Celso Eder de Araújo e o tio dele, Anderson Araújo, que foram presos na operação Ouro de Ofir, desencadeada no ano passado em Mato Grosso do Sul


G1/MS

 
Relógios apreendidos com os suspeitos de chefiarem grupo que aplicava golpes e que foram presos operação Ouro de Ofir, em Campo Grande, MS (Foto: PF/Divulgação)
Relógios apreendidos com os suspeitos de chefiarem grupo que aplicava golpes e que foram presos operação Ouro de Ofir, em Campo Grande, MS (Foto: PF/Divulgação)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, negou no fim da semana passada um novo pedido de habeas corpus aos dois homens que são apontados pela Polícia Federal como chefes de um grupo teria aplicado golpes em pelo menos 25 mil pessoas no país, Celso Eder de Araújo e o tio dele, Anderson Araújo. Eles foram presos na operação Ouro de Ofir, desencadeada em novembro do ano passado em Mato Grosso do Sul.

Esse foi o terceiro pedido de liberdade negado pelo STF. No despacho, o ministro justificou a decisão argumentando que contra os suspeitos existem indícios de autoria dos crimes atribuídos a eles: estelionato e de formação de organização criminosa. Por isso, para assegurar a manutenção da ordem pública e da ordem econômica, Lewandowski indeferiu o pedido apresentado pela defesa.

No dia 17 de fevereiro deste ano, a desembargadora Tânia Garcia de Freitas Borges, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS), concedeu uma iminar para substituir a prisão preventiva dos dois por medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica de monitoramento, mas dois dias depois, o desembargador Luiz Cláudio Bonassini Júnior, relator do processo no tribunal, revogou a decisão e eles retornaram a prisão.

Golpe milionário

A Polícia Federal acredita que o golpe articulado por Celso, Anderson e Sidinei dos Anjos Peró – esse último aproveitou o sobrenome que é igual ao do delegado Fábio Peró -, para enganar pelo menos 25 mil pessoas no país acontecia há cerca de 10 anos.

Segundo o delegado regional de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, Cléo Mazzotti, um dos golpes aplicados era prometer a investidores um retorno milionário com a repatriação de corretagem da venda de ouro de uma fictícia mina de ouro na Bahia.

O outro golpe prometia quantias também milionárias com a liberação de uma antiga Letra do Tesouro Nacional (LTN), mas também mediante pagamento prévio.

O grupo tinha quatro divisões: os líderes, chamados de paymasters; os escriturários, que ficavam encarregados de recrutar os corretores, e estes, que procuravam as vítimas, em redes sociais, grupos de WhatsApp e até em igrejas.

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