14/03/2016 07h00
Em protesto a corrução milhares de pessoas foram às ruas na segunda maior cidade de MS
Ddos News
Milhares de pessoas foram às ruas de Dourados na tarde de domingo (13) em protesto contra a corrupção. Durante a mobilização, muitos carregavam cartazes, faixas e bonecos, e durante passeata e ato na praça, gritavam pedidos de “Fora PT”.
De acordo com estimativa da PM (Polícia Militar), haviam entre 7 e 10 mil pessoas na manifestação. Já a organização estima a presença de 22 mil pessoas.
Os manifestantes começaram se aglomerar na área central por volta das 15h. O ato teve como ponto de encontro a avenida Presidente Vargas, em frente à praça Antônio João. Os manifestantes saíram em passeata pela avenida Marcelino Pires, passaram pela rua Hayel Bon Faker e retornaram pela avenida Joaquim Teixeira Alves, no mesmo ponto.
Depois disso, todos se reuniram na concha da praça, para leitura de uma “carta de repúdio à corrupção” que, segundo os organizadores do protesto, foi elaborada pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Logo após houve um ato ecumênico, com fala de representantes das igrejas evangélicas e católica. As atividades encerraram por volta de 17h.
Muitos estavam carregando bandeiras do Brasil, com o rosto pintado, usando camisetas da seleção brasileira ou com roupas em cores verde e amarela. Ainda empunhavam faixas, com apoio à Polícia Federal, ao juiz Sérgio Moro, entre outros.
Também haviam bonecos vestidos de presidiários, com os rostos da presidente Dilma Rousseff (PT), ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) e senador Delcídio do Amaral (PT). Além de faixas, cartazes e gritos de guerra contra o partido.
Integrante da organização do manifesto, o empresário Racib Panage Harb, lembrou que o protesto foi organizado em reunião com várias entidades. Ele lembra que o ato é focado ao combate à corrupção em todos os partidos, e de apoio a entidades como Polícia Federal, MPF (Ministério Público Federal) e o juiz Sério Moro.
“Todo mundo tem um motivo para protestar e seria leviano da nossa parte, dos organizadores, levantar uma bandeira contra A, B ou C. Deixamos para a população, quem tivesse seu motivo, viesse indignado e fizesse o seu protesto”, afirmou.
Apesar disso, ele acredita que o impeachment da presidente seja o sentimento da população brasileira, indignada com o tamanho da corrupção. “Não foi o PT que inventou a corrupção, ela já estava no Brasil desde o descobrimento. Mas, o tamanho que ela se proporcionou levou a essa crise que nós temos. Hoje, a gente vê um governo fragilizado politicamente que não consegue conversar com o congresso e quem está ‘pagando o pato’ somos nós”, disse Racib.
Pessoas de todas as idades, famílias inteiras, incluindo crianças, participaram do ato e caminhada. O vendedor de livros, Francisco Oliveiro Castelon, 69, disse que decidiu fazer parte porque existe um “clamor nacional”.
“As coisas estão muito mal. A corrupção avança junto com a impunidade, e com a dissimulação da Dilma dizendo que está tudo bem, do Lula também. Então a gente tem é que participar desses protestos coletivos”, afirmou. Ele considera o protesto um ato contra o PT, espera que a presidente renuncie e que Lula seja preso. “O PT deixou de ser um partido e se transformou numa organização criminosa”, afirmou.
Segundo pastor Eugênio Lins, presidente do Conselho dos Pastores de Dourados, a entidade esteve presente na mobilização com orações antes do manifesto e participação no ato ecumênico na praça. Para ele, o protesto é mais que um “Fora Dilma” ou “Fora PT”, mas pede também fim da corrupção, reforma política e um basta na impunidade.
“A corrupção hoje está institucionalizada, ela tem vários partidos. A última vez que eu olhei eram 16 partidos citados na Operação Lava Jato ou Lama Asfáltica. Então ela não é prerrogativa única e exclusiva do PT, muito embora hoje, está aparecendo mais ele do que qualquer outro partido”, afirmou.
Representando a igreja católica no ato ecumênico, o padre Crispin Guimarães, falou ao microfone que quando há pedido de justiça não é somente para os políticos ou partidos, é para os cidadãos também, já que podem se tonar vítimas dela se andarem injustamente. Ele falou que se querem um país passado a limpo, os cidadãos também precisam de atitudes honestas.
“Eu estava observando que muita gente estava deixando lixo na rua, agora, aqui, jogando papel na rua. Isso não é próprio de cidadãos não, viu? Então, as coisas começam em casa. Nós queremos o juiz Moro, mas não é só o juiz Moro não. Nós não temos um salvador nacional, nós precisamos de uma justiça que perpasse a sociedade. Uma justiça em todos os âmbitos, que faça com que a gente se lembre da honestidade que cada cidadão precisa exercer se quer um país livre”, afirmou.
Ele afirma que com o ato deste domingo, é preciso recordar a consciência de que “nós somos culpados, mas também, podemos mudar a situação”. O padre fala que se a situação chegou ao ponto em que está é porque todos foram coniventes, mas que é hora de dizer que todos querem mudanças. Afirmou também apoio à justiça, aos poderes constituídos e pediu coragem aos cidadãos para lutarem. O ato terminou com os manifestantes de mãos dadas, rezando a oração do “Pai Nosso”.

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