Residentes auxiliam na recuperação de pessoas com sequelas da Covid-19

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Ação objetiva otimizar a qualidade de recuperação dos pacientes. (Foto/Divulgação)

Ambulatório de reabilitação conta com equipamentos e profissionais altamente especializados

Por meio de uma parceria entre a UFMS e o Centro Especializado em Reabilitação da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (CER/Apae) residentes do programa Multiprofissional em Saúde: reabilitação física realizam atendimentos de pessoas que tiveram Covid-19 em Campo Grande.

“O CER/Apae é centro de referência para reabilitação e cuidados paliativos de pessoas que ficaram com sequelas cardiorrespiratórias pós Covid-19, em decorrência da manifestação de casos graves. Todos são usuários do Sistema Único de Saúde (SUS)”, destaca o professor do Instituto Integrado de Saúde (Inisa) e coordenador da Clínica Escola Integrada (CEI) da UFMS, Ramon Moraes Penha.

Residentes auxiliam na recuperação de pessoas com sequelas da Covid-19

De acordo com o coordenador do CER/APAE e fisioterapeuta, Paulo Henrique Muleta Andrade, a ideia de criar um ambulatório para reabilitação cardiorrespiratória e neuromotora para as pessoas que apresentassem comprometimentos pós Covid-19 surgiu em março do ano passado. “A proposta foi acatada pelo secretário de Saúde do Município de Campo Grande, José Mauro, e o início os atendimentos ocorreu em setembro de 2020, sendo pioneiro no Brasil. O ambulatório de reabilitação conta com equipamentos e profissionais altamente especializados e a equipe é composta por: cardiologista, neurologista, nutricionista, fisioterapeuta, enfermeiro, psicólogo, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, assistente social, entre outros”, explica Paulo.

No CER/Apae, os pacientes passam pela triagem e classificação. “Os casos mais graves são atendidos no próprio CER. A Clínica Escola recebe pacientes estratificados em condições clinicas que requeiram cuidados da atenção secundária de assistência à saúde”, detalha o professor Ramon. Os atendimentos são realizados por profissionais residentes das áreas de Enfermagem, Fisioterapia, Nutrição, Terapia Ocupacional, Psicologia, Terapia Ocupacional e Fonoaudiologia. “Atualmente, temos uma turma de R1 e uma turma de R2, totalizando 13 residentes que atuam no CER e na Clínica”, completa Penha.

“A ação objetiva otimizar a qualidade de recuperação e de vida dos pacientes sobreviventes à Covid-19, potencializando a performance cardiorrespiratória e minimizando a ocorrência de agudização de agravos secundários, como crise hipertensiva, picos hiper ou hipoglicêmicos, entre outros”, ressalta o coordenador da CEI.

Segundo o coordenador do CER/Apae, o número atual de pacientes ativos da unidade é de mais de 100 mil. “Isso significa que nos últimos 12 meses, cada um desses pacientes realizou pelo menos um atendimento de saúde. Com a parceria vigente entre UFMS e APAE, toda a comunidade sul-mato-grossense é beneficiada, pois a maior instituição de ensino superior do Estado, possibilita desenvolvimento tecnológico e inovação na saúde da pessoa com deficiência”, enfatiza. Ele também destacou que a união de esforços entre as duas instituições vem contribuindo para o fortalecimento de ações vinculadas à grande área da saúde da pessoa com deficiência. “Várias foram as conquistas, entre elas: criação do primeiro programa de residência multiprofissional em reabilitação física do Brasil, inclusão de projetos e profissionais em programas de mestrado e doutorado, com ênfase na saúde da pessoa com deficiência, produções técnicas e científicas”, diz Paulo, que também é professor.

“Entrei na residência em março de 2020. Nosso campo prático acontece tanto na Clínica Escola como no CER/Apae. Prestamos atendimento em pessoas com amputação, que tiveram acidente vascular cerebral, paralisia, entre outros, além, claro, de pessoas que têm sequelas da Covid-19. Esta parceria com o CER é muito importante, pois conseguimos trabalhar com outras profissões, com o objetivo de prestar melhor atendimento aos pacientes e, assim, contribuir para uma melhor qualidade de vida”, explica o fisioterapeuta e residente Maurício Rodrigues Comin. “Sempre falo para quem está terminando a graduação: faça a residência, venha pra UFMS. Essa parte da reabilitação física, com esse campo aqui no CER/Apae é muito legal. Quando de fato acontece este atendimento multiprofissional, isso se torna uma realidade, conseguimos acelerar o processo de recuperação dos pacientes”, destaca Maurício que é R2 no programa Multiprofissional em Saúde.

Para o nutricionista Samuel Ramos Ortiz a experiência tem sido interessante e rica, devido a diversidade de casos. “Atender os pacientes com síndrome pós Covids-19 tem sido uma experiência muito interessante para a minha carreira profissional. Isto porque cada paciente traz um sintoma diferente e com isso as estratégias nutricionais também precisam diferir. O plano alimentar desses pacientes, em geral, deve ser rico em proteínas, em vitaminas do complexo B e em antioxidantes, provenientes das folhas verde-escuras e das frutas. Mas, também gosto de associar a prescrição de módulos proteicos e, se necessário, suplementos vitamínicos ou antioxidantes, como a coenzima Q-10, a curcumina, entre outros. E, felizmente, tenho tido bons resultados da minha conduta e aprendo a cada dia novas estratégias de controle de dor e de suporte às outras áreas multiprofissionais”, relata Samuel, que também é R2 no programa.

Saiba mais

Para ser atendido no CER/Apae, faz-se necessário regulação via sistema de regulação de vagas, o Sisreg. O atendimento é exclusivo para os moradores de Campo Grande. A unidade está localizada na Rua Carlinda Tognini, 251, na Vila Progresso. O telefone é (67) 3045-5005. Mais informações também podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou no site http://apaecg.org.br/cer/