Milhares de pessoas invadiram a pista no aeroporto internacional de Cabul nesta segunda-feira (16), e multidões tentaram entrar em aviões para deixar o Afeganistão, agora dominado pelo Talibã.
Vídeos mostram pessoas tentando adentrar aeronaves paradas e subindo em um avião da força aérea americana que estava prestes a decolar . Acesse https://imasdk.googleapis.com/js/core/bridge3.474.0_pt_br.html#goog_91779818200:00/00:18
O tumulto deixou mortos e feridos. As forças americanas assumiram o controle do local e suspenderam todos os voos do aeroporto Hamid Karzai para tentar controlar a situação.
O porta-voz-chefe do Pentágono, John F. Kirby, disse que 2,5 mil fuzileiros navais americanos foram enviados ao local. E tropas turcas passara a ajudar a proteger o aeroporto (veja mais abaixo).
A autoridade de aviação afegã afirmou que o aeroporto foi “liberado para os militares” e aconselhou as companhias aéreas a evitarem o espaço aéreo do país, o que levou as principais delas a desviarem voos.
Número de mortos
O número de vítimas não havia sido confirmado oficialmente por autoridades afegãs até a última atualização desta reportagem. O porta-voz do Pentágono afirmou também que um soldado ficou ferido e dois afegãos armados foram mortos após terem atirado contra tropas americanas, segundo informações preliminares.
O jornal americano “The Wall Street Journal” diz que três pessoas foram mortas por armas de fogo. A agência de notícias Reuters fala em cinco óbitos.
A Reuters não diz se as vítimas foram atingidas por disparos de armas de fogo ou pisoteadas durante a confusão. Não está claro se os tiros foram disparados contra pessoas ou para o alto.


Talibã volta ao poder
Os afegãos estão tentando deixar o país após o Talibã tomar a capital Cabul e voltar ao poder depois de 20 anos. O presidente fugiu do Afeganistão, e o palácio presidencial foi tomado neste domingo (15).
O porta-voz do Talibã, Mohammad Naeem, afirmou à rede de televisão Al Jazeera que “alcançamos o que buscávamos, que é a liberdade do nosso país e a independência do nosso povo”.
“Pedimos a todos os países e entidades que se reúnam conosco para resolver quaisquer questões”, disse Naeem. “Não achamos que as forças estrangeiras irão repetir sua experiência fracassada no Afeganistão mais uma vez.”
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EUA invadiram Afeganistão em 2001
Os EUA atacaram o Afeganistão em 2001, em reação ao atentado do 11 de Setembro, e tirou o grupo extremista do poder. O Talibã foi acusado pelos americanos de esconder e financiar membros da Al-Qaeda, grupo terrorista comandado por Osama bin Laden e responsável pelo atentado.
Em fevereiro de 2020, o então presidente americano, Donald Trump, assinou acordo de paz com o Talibã que previa a retirada total das tropas do país até abril deste ano.
O atual presidente dos EUA, Joe Biden, manteve o acordo e adiou a saída completa para o fim deste mês. A maior parte das forças lideradas pelos EUA deixaram o Afeganistão em julho, e o Talibã se aproveitou da retirada e avançou rapidamente pelo país, conquistando diversas capitais de províncias desde o início do mês.
A queda de Cabul ocorreu muito antes do previsto pelos EUA. Segundo a Reuters, a estimativa dos serviços de inteligência americanos era a de que o Talibã chegasse a Cabul em setembro, com uma possível tomada do poder em novembro.

Veja cronologia da tomada de poder do Talibã no Afeganistão
Situação no aeroporto
Durante o tumulto no aeroporto internacional de Cabul, tropas dos EUA que ajudavam cidadãos americanos a embarcarem dispararam tiros e assumiram o controle do local.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html
Um oficial americano afirmou à Reuters que “a multidão estava fora de controle” e os disparos foram feitos “apenas para neutralizar o caos”.
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Afegãos se aglomeram na pista do aeroporto de Cabul no dia 16 de agosto para tentar fugir do país após o Talibã assumir o controle do Afeganistão — Foto: AFP
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Afegãos lotam avião no aeroporto de Cabul para tentar fugir do Talibã no Afeganistão — Foto: Wakil Kohsar / AFP
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Mais de 60 países, incluindo EUA, Alemanha, Japão e França, publicaram um comunicado no domingo em que fizeram um apelo para que cidadãos afegãos e estrangeiros tenham permissão para deixar o Afeganistão em segurança.
A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou em uma reunião a portas fechadas que o país precisa evacuar com urgência cerca de 10 mil pessoas sob sua responsabilidade, segundo a Reuters.
“Estamos testemunhando tempos difíceis”, teria dito Merkel a colegas de seu partido, o Democrata Cristão. “Agora devemos nos concentrar na missão de resgate.”
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Fonte: Portal G1




















