CPI ouve Marconny, suposto lobista da Precisa, após médico voltar atrás em atestado

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(Pedro França/Agência Senado)

A comissão parlamentar de inquérito (CPI) da Pandemia fez uma mudança na agenda desta quinta-feira (2). Em vez de Francisco Araújo Filho, ex-secretário de Saúde do Distrito Federal, o colegiado deve tomar o depoimento de Marconny Nunes Ribeiro Albernaz de Faria, apontado como um lobista da Precisa Medicamentos, empresa que atuou como intermediária no contrato da vacina indiana Covaxin e que está sob investigação. A reunião está marcada para começar às 9h30.

O depoimento de Albernaz inicialmente tinha sido adiado após o advogado apresentar um atestado médico de 20 dias à comissão, alegando estar internado no hospital Sírio Libanês, em Brasília, e não poder comparecer ao Senado. Os parlamentares consideraram o longo atestado suspeito e pediram para entrar em contato com o hospital para confirmar a internação de Albernaz.

Com a dúvida levantada pelos senadores, o diretor do hospital entrou em contato com o presidente da comissão, o senador Omar Aziz (PSD-AM). Aziz atendeu a ligação do hospital durante a reunião da CPI e comunicou aos colegas que um boletim médico seria enviado.

Pouco após o encerramento da reunião, no início da noite de quarta-feira (1/9), o médico que tinha assinado o atestado falou com os senadores para cancelar a dispensa médica. Segundo o vice-presidente da comissão, senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP), o profissional que concedeu o atestado a Albernaz disse ter notado uma “simulação” por parte do paciente, e por isso desejava cancelar o documento. Pouco antes, Aziz havia afirmado que o longo atestado de do advogado era apenas uma tentativa para “fugir” da comissão.

A convocação de Albernaz foi mantida para esta quinta após a comunicação do médico. Os senadores querem esclarecer qual era a relação do advogado para a Precisa e sua atuação dentro do Ministério da Saúde. 

A CPI obteve mensagens trocadas entre Marconny o ex-secretário da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) José Ricardo Santana. Na conversa, o Santana menciona que conheceu o suposto lobista da Precisa na casa da advogada do presidente da República, Jair Bolsonaro, Karina Kufa, que deverá ser ouvida nas próximas reuniões da CPI.

Senadores apontaram que Santana e Marconny teriam conversado sobre processo de contratação de 12 milhões de testes de covid-19 entre o Ministério da Saúde e a Precisa. Uma das mensagens trocadas aponta que “um senador” poderia ajudar a “desatar o nó” do processo. 

Autor do requerimento aprovado em 19 de agosto, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) aponta que essas e outras mensagens reforçam a existência de um mercado interno no Ministério da Saúde que busca facilitar compras públicas e beneficiar empresas, assim como o poder de influência da empresa Precisa Medicamentos antes da negociação da vacina Covaxin.

De acordo com o presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), Marconny tem se recusado a responder à CPI, que deverá “trazê-lo sob vara”, por meio de ação judicial.