Temer diz que gravações são fraude e ataca Joesley Batista

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Publicado em 20/05/2017 14h41 – Atualizado em 20/05/2017 14h41

Temer diz que gravações são fraude e ataca Joesley Batista em pronunciamento

Presidente irá pedir suspensão de inquérito acatado pelo ministro do STF Edson Fachin

R7

Em pronunciamento realizado na tarde deste sábado (20) no Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer afirmou que entrará com pedido no STF (Supremo Tribunal Federal) para suspender o inquérito contra ele até que seja verificada a autenticidade dos áudios gravados pelo delator Joesley Batista em diálogo com o presidente no dia 7 de março. O inquérito foi solicitado pela PGR (Procuradoria Geral da República) e acatado pelo ministro do STF Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo.

Na fala de de 12 minutos e meio, Temer citou reportagem do jornal Folha de S.Paulo sobre a perícia realizada sobre as gravações e na qual o perito Ricardo Caires dos Santos, do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, afirma haver mais de 50 edições. “Esta gravação manipulada e adulterada” feita por Joesley não pode me incrimnar, citou Michel Temer.

O presidente aproveitou para atacar Joesley Batista, proprietário do frigorífico JBS e autor das gravações. “Ele é um falastrão exagerado”, afirmou Temer, apontando que as falas da gravação não são coerentes com o que foi comentado pelo empresários aos procuradores da república em delação premiada feita após o registro dos diálogos.

Contra o delator, Temer citou ainda a investigação feita pela Comissão de Valores Mobiliários, segundo a qual Joesley Batista teria lucrado U$ 1 bilhão ao especular em dólares e ações horas antes da divulgação das conversas. “Foi um crime perfeito; o delator não passou nem um dia preso”, afirmou o presidente.

Defesas públicas

Este foi o segundo pronunciamento do presidente nos últimos três dias. Na última quinta-feira (18) Temer veio a público anunciar que não renunciaria ao cargo, possibilidade levantada após as denuncias feitas pelo jornal O Globo na noite anterior, baseadas nos diálogos de Joesley Batista, dono do frigorífico JBS, com o presidente, gravados em 7 de março.

As gravações levaram ao pedido de abertura de inquérito, acatado pelo STF, por suspeita de três crimes: corrupção passiva, obstrução à investigação de organização criminosa e participação em organização criminosa. Os detalhes do pedido feito pela PGR (Procuradoria-Geral da República) e autorizado pelo ministro Edson Fachin contra Michel Temer, o senador Aécio Neves (PSDB) e o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) foram divulgados na última sexta-feira (19).

Temer falou novamente após a divulgação de gravações e delações
Dida Sampaio/Estadão Conteúdo