Homem diz que matou a ex-esposa porque estava sendo traído; crime aconteceu em via pública e durante o dia

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Vítima, de azul, e o agressor vindo em sua direção de camisa cinza (Foto: Reprodução/vídeo)

O homem de 52 anos que matou a ex-esposa, de 48, na manhã desta terça-feira (28) em uma calçada do bairro Nova Lima, em Campo Grande, confessou o crime e alegou que o fez após descobrir que a vítima o estava traíndo com outra pessoa. Além disso, o assassino declarou que estava monitorando a mulher há dias, sendo que há pelo menos um mês estavam separados.

As informações foram repassadas em coletiva de imprensa no final da tarde, na sede da Delegacia Especializada no Atendimento Á Mulher (DEAM), que fica na Casa da Mulher Brasileira. Segundo a delegada responsável pelo caso, Karine Viana de Queiroz, o crime foi premeditado, o que deve agravar a pena.

A vítima tinha uma medida protetiva contra o sujeito desde o início do mês, apesar disso, acabou sendo agredida e morta no meio de uma via pública. Quando esteve na delegacia para registrar a violência doméstica sofrida pelo ex-marido, a vítima contou que era constantemente ameaçada e perseguida.

“Ele alega que descobriu uma traição, embora essa afirmação seja vaga. Testemunhas disseram que ele já a estava perseguindo, tentando reatar o relacionamento e diante da negativa dela, ele andava alterado, não aceitando o fim e alegava que ia ceifar a vida dela, mas que antes não deixaria ela fazer mais isso com mais ninguém”, disse a delegada.

Ele vai responder por feminicídio. Já foi feito pedido de prisão preventiva e na quarta-feira (1º), dia do aniversário da vítima que completaria 50 anos, o ex-marido dela irá passar pela audiência de custódia que definirá se continua presa ou se poderá responder em liberdade.

O caso

Era para ser só mais um dia de trabalho rotineiro na escola onde a servidora pública de 49 anos atuava, no bairro Nova Lima, em Campo Grande. Ea se preparava para entrar numa nova fase da vida, a dos 50 anos, já que na quarta-feira (1º) seria o seu aniversário. Entretanto, uma antiga relação amorosa impediu que isso acontecesse.

Em plena via pública, com carros passando ao lado, e também em frente a uma galeria de lojas, a servidora foi atacada covardemente pelo seu ex-marido, que não aceitava o fim da união entre eles. O casamento, aliás, não era dos mais felizes para ela, já que o histórico policial aponta para pelo menos quatro boletins de ocorrência por violência doméstica.

Ela tinha uma medida protetiva contra o ex-marido, porém, não serviu para impedir que ela fosse agredida mais uma vez. O homem, que atua como pintor, não se preocupou sequer com as testemunhas e foi puxando pelo braço e até mesmo apertando o pescoço da ex-esposa enquanto discutiam pela calçada da Rua Francisco Pereira Coutinho.

Em dado momento, os dois se separaram, mas ao chegar em frente a uma galeria de lojas o autor voltou a surpreender a vítima. Imagens de câmeras de segurança mostraram toda a dinâmica dos fatos, inclusive quando a mulher pega o celular e ameaça ligar para alguém no intuito de impedir que ele se aproximasse.

Bruto, selvagem e covarde, o homem partiu para cima dela com toda a sua força. Primeiro, deu um tapa na mão fazendo o celular voar para longe, em seguida começou a bater, até que pegou a faca da cintura e aplicou vários golpes contra a barriga e o peito da mulher, que não tinha forças para se defender e não foi ajudada por ninguém que passava ali perto.

Após cair na calçada ferida e sangrando, o agressor correu, mas um adolescente de 17 anos o surpreendeu no caminho. Ele foi o único que apareceu para ajudar a vítima e bateu no homem, derrubando-o no chão. No exato momento, uma viatura da polícia passava pela via e o prendeu em flagrante.

A servidora pública chegou a ser socorrida por uma ambulância do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU) e levada, em estado grave, para a Santa Casa, mas não resistiu a uma parada cardiorespiratória e acabou falecendo logo depois de dar a entrada médica. A Secretaria Municipal de Educação (Semed) lamentou a morte da monitora de alunos.

O caso está sendo investigado pela Delegacia Especializada no Atendimento Á Mulher (DEAM), para onde o assassino foi levado depois da prisão. A faca usada no crime foi apreendida. Ele deve responder por feminicídio e deve passar por audiência de custódia na quarta-feira (1º) para saber se continuará preso ou se poderá responder em liberdade.