Após anúncio de repasse emergencial, Hospital do Câncer encerra greve

371
Hospital de Câncer de Campo Grande - Alfredo Abrão (HCAA). (Foto/Gov.MS)

A greve dos médicos no Hospital do Câncer Alfredo Abrão (HC), em Campo Grande, foi encerrada nesta segunda-feira (06), após 13 dias de paralisação para novos pacientes. Durante a manhã, houve uma reunião envolvendo a direção da unidade, a Prefeitura e o Govenro do Estado, na sede da Procuradoria-Geral da Justiça, para debate a crise financeira e reajustar o valor do repasse.

De acordo com as informações, serão repassados R$ 6,1 milhões para o hospital como medida emergencial. Deste, R$ 3,5 milhões virão do Governo do Estado, que usará recursos próprios, e outros R$ 2,6 milhões da Prefeitura de Campo Grande, que vai utilizar um recurso recebido do Governo Federal, porém, parcelado sendo a primeira depositada nesta semana no valor de R$ 300 mil.

“Chegamos a um denominador comum e o Estado fará esse aporte financeiro ainda hoje. Nossa intenção é facilitar a regularização imediata das pendências financeiras do hospital, que motivaram o corpo clínico a paralisar”, disse o secretário estadual de Saúde, Maurício Simões, complementando que mais recursos podem ser ofertados em um prazo entre 60 e 90 dias caso seja demonstrado a quitação dos débitos.

O diretor clínico do Hospital do Câncer, João Paulo Vilalba, ponderou que o encontro foi positivo. “Apresentamos os problemas que o corpo clínico apontavam e precisavam ser sanados. Todos foram solucionados aqui. Vamos voltar a atender com esse repasse a ser feito hoje e sanar as dívidas”, explicou.

Após anúncio de repasse emergencial, Hospital do Câncer encerra greve
Foto: Rodson Lima/SES

A greve começou no dia 22 de fevereiro, inicialmente sob a alegação de que os médicos estavam com os seus salários atrasados, em seguida, a direção do HC tornou público que tem um déficit mensal de R$ 700 mil, o que estava impedindo tando o pagamento dos salários dos médicos como também a compra de remédios e outros materiais para os exames.

Desde então, foram mantidos apenas os tratamentos já iniciados, enquanto que casos novos não seriam mais recebidos pelo hospital enquanto a solução não fosse resolvida pelo Poder Público. Nesta segunda-feira, a direção do HC disse que foram pelo menos 500 atendimentos que deixaram de ser feitos desde então.

O diretor-clínico do hospital, João Paulo Vilalba, disse que os problemas de compra de medicamentos e os atendimentos poderão ser regularizados com o aporte de recursos públicos. O Hospital do Câncer Alfredo Abraão é a grande referência contra a doença no Estado, atendendo 99% de pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e 70% de pacientes oncológicos da rede pública do Estado.

A direção diz que o gasto mensal da instituição é de mais de R$ 4 milhões. Acima do repasse feito pela prefeitura, governo do estado e governo federal, que soma uma média de R$ 3,5 milhões por mês.

Nas contas do hospital, para manter o funcionamento normal, seria necessário um aporte adicional de R$ 770 mil. Em janeiro deste ano a direção do hospital enviou um relatório financeiro à prefeitura de Campo Grande apontando a defasagem entre o que recebe e o que gasta.