Crônica para o Dia da Mulher: como é que está sendo o seu dia?

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Foto: Pexels

Os olhos já estavam abertos antes mesmo do relógio no seu celular cravar às 06h da manhã nesta quarta-feira (08). A madrugada foi uma luta contra o sono provocada pelo filho, de dois anos, vítima de uma febre que fletou com os 39ºC. Nenhuma mãe no mundo, indepententes de suas condições financeiras ou posições sociais, deixaria a própria cria sozinha no leito de uma cama quando se está doente!

Os sonhos desta mulher ao longo das noites passadas foram trocados pelas tristes cenas do filho quente e vomitando por conta de um refriado. Naquela altura da semana, já tinha faltado ao serviço por dois dias seguidos para poder tomar conta da cria e repetir a ausência mais uma vez seria um risco para a sua empregabilidade. O patrão, aliás, já a pressionava pelo telefone cobrando a presença física e imediata.

Às 6h45min sua mãe chegou na casa para olhar o neto, que ainda se recuperava do resfriado. Sem muito tempo para conversar, já que o ônibus do bairro se aproximava do ponto, ela partiu deixando o seu bem mais precioso pelas próximas oito horas. Exuberante como uma diva, radiante como uma rainha, foi para a saga enfrentar a batalha do dia a dia e garantir o sustento da família, ainda que não tenha conseguido dormir direito.

Após encarar dois ônibus lotados e mais alguns quilômetros a pé em uma calçada repleta de obstáculos, ela finalmente chegou no seu local de trabalho, sorrindo, elegante e educada ignorando todos os percalços que havia passado desde então. Fez o seu dever da maneira mais correta possível, alcançou as metas estabelecidas, foi gracejada por um colega que buscava por algo a mais, recebeu um convite do próprio chefe para almoçar em um restaurante badalado, mas não escutou ninguém lhe perguntar “como é que estava sendo o seu dia?”

Às 18h o relógio no seu celular gritava o retorno para casa, após a longa jornada de trabalho com todos os perrengues que passou e que foi obrigada a ignorar para não perder o emprego e deixar faltar as coisas para a sua família. Novamente encarou dois ônibus lotados e tentou evitar os toques nada involuntários contra o seu corpo, até que finalmente chegou em casa e pôde rever o filho, já melhor da gripe que o tinha acamado.

O cenário descrito nesta crônica não é um exagero por parte deste que vos escreve, pelo contrário, é um digno retrato que pode ser escutado de muitas mulheres que passam por essa mesma situação ou por algo semelhante e, por vezes, até bem mais grave. Neste Dia Internacional da Mulher, a mensagem que fica é a da empatia, em especial por parte dos homens, para que se coloquem no lugar delas e passem a dividir um mesmo sentimento: o da sentimento da igualdade!