Trote que levou dois jovens ao coma alcoólico repercute no Facebook

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03/02/2015 15h30

Trote que levou dois jovens ao coma alcoólico repercute no Facebook

Campo Grande News

A internação de calouros de 17 e 18 anos do curso de medicina veterinária da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), por causa de coma alcoólico, ganhou repercussão nas redes sociais, gerando opiniões divergentes sobre o assunto. A mãe de um dos jovens postou no Facebook imagem na qual o filho aparece inconsciente e completamente sujo, resultado do trote promovido ontem (02) pelos veteranos em um posto de combustíveis perto da universidade.

Na postagem, a administradora de empresas condenou a “brincadeira” e lamentou a situação em que encontrou o filho – ele o colega foram socorridos e encaminhados à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Bairro Coronel Antonino. “Se o trote é proibido no campus, é proibido em qualquer lugar”. Segundo ela, até óleo queimado foi jogado no corpo do rapaz. “Num dia de alegria, estou com ele em coma”, afirmou.

A foto foi compartilhada cerca de 432 vezes e teve, até o fechamento desta matéria, 1.719 curtidas. Um policial militar de 48 anos disse que os envolvidos deveriam responder criminalmente. “(Acho) um absurdo. Aos veteranos deveria ser imputado o crime de tortura”, afirmou. “Os que o fizeram, devem ser punidos. Isso já deveria ser proibido por lei, passou da hora. Que Deus o abençoe; que se recupere logo”, completou uma estudante de direito de 20 anos.

Por outro lado, há quem diga que o rapaz também tenha sua parcela de culpa. Uma acadêmica de veterinária, de 19 anos, postou uma captura de tela de grupo no WhatsApp em que o rapaz diz ter sofrido seu “segundo coma”, e que foi lá “porque quis”. “Só falta (alguém) falar que o primeiro coma foi por causa dos veteranos também”, ironizou ela.

Outra acadêmica mencionou a questão histórica dos trotes desde a origem na Europa da Idade Média, e defendeu a tradição. “Dois beijos para as tiazinhas das orações e para os pseudo-intelectuais que não entendem tradições e julgam. E outro beijo pra mamãe que nunca colocou limite no filhinho. Que comece o mimimi”, provocou.

Entre os inúmero comentários, também houve quem ponderasse. “Já participei de três anos de trotes. Na minha turma nunca tivemos problemas, brincamos e nos divertimos. Infelizmente tem alguns que se empolgam demais. É triste ver esta citação, mas uma coisa eu digo, ninguém é obrigado a estar ali. Se a pessoa tiver voz ativa, ninguém a obriga a beber o que não quer”, disse uma veterinária de 29 anos.

A UCBD – A assessoria de imprensa da UCDB afirmou na manhã desta terça-feira (03) que a instituição não vai apurar os supostos abusos, já que os eventos ocorreram fora do campus.

Em portaria (01/2015) publicada na última sexta-feira (31), no site oficial da instituição, o Padre José Marinoni, reitor, afirma que as punições para trotes devem ser aplicadas de forma direta e imediata, partindo desde suspensões até desligamentos, contanto que sejam provados casos dentro das instalações da unidade.

Post da mãe de garoto ganhou grande repercussão no Facebook. (Foto: Reprodução/Facebook)