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sábado, 30 de agosto, 2025
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Com apoio do Senar/MS, Silvana formaliza o queijo “único no mundo” criado pelo pai

Há sabores que carregam memórias, e histórias que atravessam gerações. O Queijo Brun é uma mistura das duas coisas. “Único no mundo”, como gostava de dizer o patriarca Álido Brun, ele carrega em cada pedaço a força de uma vida inteira dedicada ao campo, ao trabalho e à persistência. Em Paraíso das Águas, a tradição iniciada pelo visionário produtor rural ganhou novos rumos com a filha Silvana e, com o apoio do Senar/MS por meio da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Agroindústria, conquistou a formalização, abriu caminho para premiações e consolidou-se como um orgulho do Mato Grosso do Sul.

“Parece que a gente não consegue trabalhar mais sem o Senar. Hoje, tudo o que faço troco ideia com o Senar. Eles sempre apresentam soluções e ideias novas. Me falaram que o atendimento acontece por dois anos, mas eu quero para sempre”, destaca a atual responsável pela queijaria e herdeira do legado, Silvana Brun.

A virada começou com a porta batida por quem entende de futuro. Silvana recebeu a técnica de campo do Senar/MS, topou o desafio e passou a ser acompanhada de perto. Foi passo a passo, como quem cuida de massa em temperatura certa: rótulo, embalagem, higiene, organização da produção, ajustes na estrutura, protocolos e papelada. De “fama na boca do povo” à legalização de ponta a ponta, a Queijos Brun vivenciou uma nova realidade.

“Até então o queijo não era formalizado, dá para dizer até que era clandestino. Tinha a fama porque meu pai fez a propaganda do produto. Já era uma vontade dele e decidi que teríamos que legalizar e nós precisávamos de ajuda. Nesse momento que o Senar apareceu na minha vida”, relembra a queijeira.

Essa é a história do Transformando Vidas de hoje, confira:

O resultado foi a tão esperada legalização e, junto com ela, o selo do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI), que permite a comercialização em todo o Brasil, sem perder sua essência artesanal.

“O processo de formalização de uma agroindústria demanda muitos requisitos. Por vezes é difícil conseguir convencer o produtor da importância desses processos. Mas aqui a Silvana, com a visão dela inovadora e renovada, conseguiu devagarinho aderir aquilo que a gente recomendou”, comenta a técnica de campo que atende a queijaria, Aline Bacca.

Com apoio do Senar/MS, Silvana formaliza o queijo “único no mundo” criado pelo pai
Amiga do fundador da queijaria, Senadora Tereza Cristina fez questão de oficializar formalização pelo SISBI na sede da empresa (Arquivo pessoal)

Reconhecimento do legado

E logo vieram os aplausos ao participar de competições e feiras por todo o Brasil. Na premiação mais recente, durante o Concurso de Queijos de Mato Grosso do Sul, o Brun foi o protagonista absoluto: ouro e prata na categoria “Massa Semi Cozida”, o segundo lugar na “Inovação Regional” e foi o super premiado do evento, na categoria “Prêmio Super Ouro”. Uma consagração que emocionou Silvana, sempre lembrando do pai.

O reconhecimento transcende os limites do estado. O Queijo Brun conquistou a medalha de prata na categoria parmesão da 8ª edição do Prêmio Queijo Brasil, considerada a maior competição de queijos, manteigas e doces de leite do país. O evento foi realizado em Blumenau (SC).

Com apoio do Senar/MS, Silvana formaliza o queijo “único no mundo” criado pelo pai
Concurso nacional teve participação 618 produtores artesanais de mais de 300 cidades e 2.200 amostras (Arquivo pessoal)

“Devo isso ao Senar também, sozinha eu não conseguiria. Quando recebo um prêmio, penso nele. Queria que ele estivesse ali recebendo esses troféus. Representá-lo é uma responsabilidade imensa, mas também um orgulho sem tamanho”, conta.

Com apoio do Senar/MS, Silvana formaliza o queijo “único no mundo” criado pelo pai
Silvana se emociona ao contar que se sente valorizando o legado do pai em cada premiação que participa (Foto: Assessoria/RuralTur MS)

A persistência do Início

A grandeza da conquista nasce de uma vida marcada por quedas e recomeços. Álido Brun, gaúcho de Santa Rosa, chegou a Mato Grosso do Sul em 1980 acreditando no futuro fértil do estado. Plantou soja, colheu vitórias por 16 anos e, de repente, perdeu tudo. Recomeçou em Chapadão do Sul, onde o solo arenoso não perdoava a lavoura. Tentou de novo, caiu de novo. O que para muitos seria motivo de desistência, para ele era combustível. Quando decidiu apostar no leite, esbarrou em preços injustos pagos pelos laticínios. E foi nesse momento, diante da dificuldade, que enxergou a saída: transformar o leite em queijo.

Sem nunca ter visto alguém fazer, sem nunca ter lido um manual, começou a experimentar. Perdeu leite, perdeu noites, perdeu dinheiro. Mas ganhou persistência. Teste após teste, criou um sabor que não cabia em comparações. Levou até os especialistas da Universidade Federal de Viçosa, que confirmaram: não havia nada igual. Nascia ali o queijo “único no mundo”.

“Aprendi muito observando que não existe um ser humano que saiba quanto poder ele tem. Eu não sou um poderoso porque eu fiz o queijo. Todos são”, contava Álido em uma das muitas entrevistas condidas ao longo da trajetória.

Com apoio do Senar/MS, Silvana formaliza o queijo “único no mundo” criado pelo pai
De vendedor nato, Álido transformou cada encontro em oportunidade: saía de casa sempre com um queijo debaixo do braço, levando sua criação a artistas, autoridades e até presidentes. Assim, o sabor foi conquistando corações e colocando o município Paraíso das Águas no mapa da gastronomia brasileira.

Desde 2021, quando Álido faleceu, é Silvana quem segura esse bastão. Com a força do Senar/MS e de parceiros, como Consórcio Intermunicipal para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia Hidrográfica do Rio Taquari (Cointa), ela colhe os frutos da formalização e já sonha mais alto: expandir as vendas, abrir novos caminhos de comercialização e até levar o Queijo Brun para brilhar na França.

Um queijo que nasceu da teimosia de um homem, cresceu no colo de uma família e agora voa com as asas da formalização, do reconhecimento e da tradição. O Queijo Brun não é apenas alimento: é memória, é poesia, é história transformada em sabor. E para o Senar/MS, participar dessa trajetória é motivo de imenso orgulho: ver a determinação de Silvana e a genialidade de Álido sendo reconhecidas em todo o Brasil é a prova de que, com apoio técnico e incentivo certo, sonhos se transformam em conquistas que inspiram gerações.

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