Às vésperas do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), previsto para a próxima terça-feira (2), aliados do político antecipam críticas à Corte e articulam uma nova ofensiva no Congresso para retomar o projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.
Segundo lideranças do PL, a proposta voltou a ser prioridade do partido, já que a versão atual do texto, defendida pela oposição, pode favorecer Bolsonaro em caso de condenação. A avaliação interna é de que o ex-presidente enfrentará um julgamento rigoroso na Primeira Turma do STF.
O líder da oposição no Congresso, Rogério Marinho (PL-RN), reforçou que a expectativa é aguardar o desfecho no Judiciário, mas buscar uma alternativa política no Legislativo. “Nós acreditamos na imparcialidade do processo, mas seguiremos confiando numa solução política pelo Congresso”, declarou.
Na mesma linha, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), confirmou que todos os esforços do partido estarão concentrados na aprovação da anistia. Ele afirmou que a legenda também prepara outras ações em apoio a Bolsonaro, com estratégias a serem definidas em reuniões ao longo da próxima semana. “Não temos muita esperança. Trata-se de um julgamento político, sem base jurídica. Não acreditamos na conclusão da Justiça neste processo”, afirmou.
A mudança de foco leva o PL a abandonar a defesa da chamada PEC das Prerrogativas, apelidada de PEC da Blindagem, que buscava impedir a prisão de parlamentares por decisão do STF. “A PEC interessa ao Parlamento brasileiro, mas a esquerda faz politicagem, e não vou arcar sozinho com um custo que beneficia a todos”, disse Sóstenes.
Estratégia e reuniões
Na segunda-feira (1º), o partido realiza uma reunião para definir a estratégia em torno da anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro. O tema também deve ser discutido no encontro de líderes da Câmara no dia seguinte, em paralelo ao julgamento no Supremo.
O posicionamento dos aliados de Bolsonaro durante a análise no STF ainda não foi detalhado, mas integrantes do PL afirmam que ações “com efeito surpresa” estão sendo preparadas para aumentar o impacto político.
Enquanto isso, a defesa de Bolsonaro já indicou ao Supremo nove advogados para acompanhar o julgamento.