MPT realiza ato em memória de Vanessa Ricarte e instala Banco Vermelho

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Vanessa Ricarte (Foto: Arquivo Pessoal/Rede Social)

O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) realiza, na próxima terça-feira (14), às 14h, o ato #JustiçaPorVanessa, em memória da jornalista e servidora da instituição Vanessa Ricarte, assassinada em fevereiro deste ano em um caso de feminicídio que comoveu o país e levou à revisão de protocolos de atendimento a mulheres vítimas de violência.

Aberta ao público, a cerimônia será realizada na sede do MPT-MS, em Campo Grande, e deve reunir procuradores, servidores, amigos e familiares da jornalista. O órgão convida os participantes a se vestirem de preto, em sinal de luto e protesto.

Durante o ato, será instalado na instituição o Banco Vermelho, símbolo internacional de enfrentamento à violência contra a mulher. O MPT será o primeiro órgão da capital a receber o banco, que percorrerá diferentes espaços públicos como parte de uma campanha permanente de conscientização sobre a Lei Maria da Penha.

A passagem do Banco Vermelho por Campo Grande foi proposta pela vereadora Luiza Ribeiro, coordenadora da Procuradoria Especial da Mulher “Jornalista Vanessa Ricarte” da Câmara Municipal. Segundo a parlamentar, a iniciativa transforma o símbolo em política pública permanente de enfrentamento ao feminicídio e à violência doméstica.

De acordo com dados da Procuradoria Especial da Mulher, Campo Grande registrou 6.946 ocorrências de violência doméstica em 2024, e até setembro deste ano já são 5.688 vítimas — uma média de 24 denúncias por dia. No mesmo período, 381 casos de estupro foram registrados, sendo 330 contra crianças e adolescentes.

Um caso que comoveu o país

Vanessa Ricarte, de 42 anos, foi morta em 12 de fevereiro de 2025, dentro de casa, em Campo Grande, com três facadas no tórax. O crime foi cometido pelo então noivo, o músico Caio Nascimento, preso em flagrante.

Horas antes de ser morta, Vanessa procurou a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) para registrar ocorrência e solicitar medida protetiva. Segundo relatos de familiares, ela não recebeu acolhimento adequado. Em um áudio enviado a amigos, disse ter sido atendida de forma “fria e seca” e orientada a voltar para casa, sem garantia de segurança.

O caso gerou forte repercussão nacional e levou instituições públicas a reverem seus protocolos de acolhimento e proteção a mulheres em situação de risco. Em março deste ano, o Ministério Público Estadual (MPMS) teve a denúncia contra Caio Nascimento por feminicídio aceita pela 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande. Ele também responde por divulgação de cena de nudez, cárcere privado, violência psicológica e perseguição.