Piso nacional chega a R$ 1.621 e injeta R$ 81,7 bilhões na economia
O ano começa com mais dinheiro no bolso de milhões de brasileiros. A partir desta quinta-feira (1º), o novo salário mínimo entra em vigor em todo o país, fixado em R$ 1.621, após reajuste de R$ 103, o equivalente a 6,79% em relação ao valor de 2025, que era de R$ 1.518.
Com a mudança, o valor diário do mínimo passa a ser de R$ 54,04, enquanto a hora trabalhada corresponde a R$ 7,37. Apesar de já estar valendo, o novo piso nacional será pago efetivamente a partir dos salários depositados em fevereiro. O reajuste segue a política de valorização do salário mínimo adotada pelo governo federal.
Segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), cerca de 61,9 milhões de brasileiros têm rendimentos direta ou indiretamente vinculados ao salário mínimo. Com o aumento, a estimativa é de um incremento de R$ 81,7 bilhões na economia.
Impacto nas contas públicas
O Dieese calcula que cada aumento de R$ 1,00 no salário mínimo gera um impacto anual de R$ 380,5 milhões sobre a folha de benefícios da Previdência Social. Com o reajuste total de R$ 103, o custo adicional estimado é de R$ 39,1 bilhões por ano.
Atualmente, benefícios equivalentes a até um salário mínimo representam 46% da massa total paga pela Previdência e correspondem a 70,8% dos beneficiários.
Além das aposentadorias e pensões do INSS, o salário mínimo também serve de referência para o seguro-desemprego, o abono salarial PIS/Pasep e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Poder de compra
Um estudo do Dieese aponta melhora no poder de compra do trabalhador. Em 2025, o salário mínimo permitia a compra média de 1,75 cesta básica em São Paulo. Em janeiro de 2026, essa relação sobe para 1,93 cesta básica por salário mínimo, o melhor índice desde 2019.
Benefícios do INSS
A partir de agora, o valor mínimo pago pelo INSS em aposentadorias e pensões passa a ser de R$ 1.621. Cerca de 70% dos benefícios pagos pelo instituto correspondem exatamente a um salário mínimo.
Quem recebe acima desse valor terá reajuste com base no INPC, índice de inflação que será divulgado pelo IBGE no dia 10 de janeiro. O calendário de pagamentos começa em 26 de janeiro e segue até 6 de fevereiro.
As contribuições ao INSS também serão recalculadas com base no novo piso. As alíquotas partem de 5% do salário mínimo, conforme o tipo de segurado.
Abono salarial
Em 2026, o valor do abono salarial vai variar entre R$ 135,08 e R$ 1.621, de acordo com o número de meses trabalhados em 2024. O benefício é pago a trabalhadores que receberam até dois salários mínimos mensais no ano-base.
Neste ano, 26,3 milhões de trabalhadores receberam o abono, totalizando R$ 30,6 bilhões. Pelas novas regras, o teto de renda para acesso ao benefício será reduzido gradualmente até 2035, quando passará a ser de um salário mínimo e meio.
A consulta pode ser feita pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, pelo portal gov.br, pelo telefone 158 ou presencialmente nas Superintendências Regionais do Trabalho.
BPC e seguro-desemprego
Idosos com 65 anos ou mais e pessoas com deficiência que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) também passam a receber R$ 1.621 por mês. O benefício é destinado a pessoas em situação de vulnerabilidade social, sem direito a outros auxílios do INSS.
Já o valor mínimo do seguro-desemprego sobe para R$ 1.621. O benefício é concedido a trabalhadores demitidos sem justa causa; quem faz acordo para desligamento não tem direito ao pagamento.
O reajuste do salário mínimo foi oficializado por decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicado pelo governo federal.










