Após captura de Maduro, Trump diz que EUA vão administrar a Venezuela

62
No primeiro pronunciamento após a captura de Maduro, Trump classificou ação como uma ‘extraordinária’ e ‘ataque espetacular’ (Foto: Reprodução)

Em discurso, presidente americano afirma que forças armadas estão prontas para agir novamente “se for necessário”

O anúncio veio em tom de advertência e com promessa de permanência. Poucas horas depois de confirmar a captura de Nicolás Maduro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que as Forças Armadas americanas estão prontas para lançar uma segunda onda de ataques na Venezuela, caso considere necessário, e que os EUA permanecerão no país até que ocorra uma “transição adequada” de poder.

Em pronunciamento para detalhar a operação, Trump classificou a ação militar como uma “operação extraordinária” e um “ataque espetacular”, comparando a ofensiva a ações que, segundo ele, “não se viam desde a Segunda Guerra Mundial”. O presidente afirmou que a primeira fase foi executada de forma “rápida, precisa e competente”, sem baixas entre os militares americanos nem perda de equipamentos.

Segundo Trump, helicópteros e aviões foram usados na operação, e o desempenho das tropas foi elogiado pela “precisão” e “eficiência”. “Nenhum membro dos nossos serviços foi morto”, declarou. O presidente voltou a chamar o governo de Maduro de “ditadura ilegal” e disse que o líder venezuelano é um “ditador fora da lei” que precisará responder à Justiça dos EUA, ao lado da esposa, por acusações relacionadas a uma “campanha mortal de narcoterrorismo”.

Trump afirmou ainda que os Estados Unidos vão administrar a Venezuela de forma interina até que o país possa se sustentar de maneira “segura, apropriada e justa”. De acordo com ele, um grupo ainda não anunciado será designado para conduzir esse período de transição. “Ficaremos lá até que uma transição adequada aconteça”, disse, acrescentando que não permitirá que “outra pessoa assuma o poder” sem compromisso com a vontade da população venezuelana.

Durante o discurso, o presidente também mencionou interesses econômicos e anunciou a entrada de grandes petroleiras americanas no país. Segundo Trump, empresas dos EUA investirão bilhões de dólares para recuperar a infraestrutura do setor e retomar a produção. “Vamos fazer o petróleo fluir”, afirmou, dizendo que a presença americana ajudará a tornar a Venezuela “rica, independente e segura”.

Apesar de avaliar que a primeira ofensiva foi suficiente, Trump disse que novas ações não estão descartadas. “Se precisarmos de uma maior, estamos preparados”, afirmou, ao indicar que ainda existem “maus elementos” do regime chavista em território venezuelano e que não teme ampliar a presença militar no país.

Em entrevista à Fox News, o presidente declarou que ainda está decidindo sobre o futuro político da Venezuela. Questionado sobre a possibilidade de a líder oposicionista María Corina Machado assumir o poder, disse que o secretário de Estado, Marco Rubio, mantém conversas tanto com ela quanto com a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez. Trump afirmou, no entanto, que Machado “não tem apoio interno nem respeito suficientes”.

O presidente também invocou a Doutrina Monroe, política do século XIX que fundamenta a ampliação da influência dos EUA na América Latina, e afirmou que “o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”.

Sobre o destino de Maduro, Trump disse que o presidente venezuelano e a esposa foram capturados em Caracas e levados por helicóptero a um navio da Marinha dos EUA posicionado no Caribe, o USS Iwo Jima. Segundo ele, Maduro será encaminhado a Nova York “em um futuro breve”, onde a Justiça americana decidirá sobre sua prisão enquanto aguarda julgamento.

O ataque ocorreu após meses de tensão e reforço da presença militar dos EUA na região. Na madrugada deste sábado, explosões foram registradas em Caracas, com relatos de falta de energia, barulho de aeronaves e fumaça próxima a instalações militares. O governo venezuelano afirmou que o país está sob ataque, decretou estado de emergência e classificou a ofensiva como uma “agressão imperialista”, além de exigir uma prova de vida de Nicolás Maduro.

A Venezuela também declarou que se reserva o direito de exercer legítima defesa e convocou países da América Latina e do Caribe a se mobilizarem em solidariedade.