Suprema Corte diz que medida garante continuidade do Estado diante da ausência do presidente
A madrugada virou o relógio do poder em Caracas. Em poucas horas, a Venezuela passou a ter um presidente detido no exterior e uma vice-presidente convocada pela Justiça a assumir o comando do país em meio a uma crise sem precedentes.
A Câmara Constitucional da Suprema Corte da Venezuela determinou neste sábado (3) que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma interinamente a Presidência da República, após a detenção de Nicolás Maduro durante uma operação conduzida por forças dos Estados Unidos. A decisão busca garantir a continuidade administrativa do país diante da ausência do chefe do Executivo.
Segundo o tribunal, Rodríguez deverá ocupar o cargo de presidente interina “para assegurar a continuidade do Estado, da administração do governo e da defesa integral da Nação”. A Corte informou ainda que vai analisar, nos próximos dias, o enquadramento jurídico da situação para definir os próximos passos institucionais diante da chamada “ausência forçada” de Maduro.
A medida judicial ocorre poucas horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o governo americano passará a administrar a Venezuela por tempo indeterminado após a captura de Maduro. A declaração elevou a tensão diplomática e política no país sul-americano.
Mesmo após a decisão da Suprema Corte, Delcy Rodríguez fez um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão no qual reafirmou que Nicolás Maduro é o “único presidente legítimo” da Venezuela. Ela classificou a ação americana como um “sequestro” e pediu calma e união da população para defender a soberania nacional.
“A Venezuela jamais será colônia de qualquer nação”, afirmou Rodríguez, em discurso transmitido pela televisão estatal em Caracas. Ela também convocou as instituições e a sociedade a permanecerem mobilizadas diante do que chamou de agressão estrangeira.
A crise institucional se aprofunda enquanto a comunidade internacional acompanha os desdobramentos do caso. O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir na próxima segunda-feira (5) para discutir o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e seus impactos políticos e humanitários.



















