Estado fechou o ano com 439 crimes letais, número ainda acima de 400 pelo quinto ano consecutivo
Em Mato Grosso do Sul, a violência letal manteve um ritmo alarmante ao longo de 2025: foram 439 Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) em 12 meses — o equivalente a uma morte violenta a cada 20 horas. Os dados, consolidados pela plataforma Sigo Estatística, revelam que a maior parte das ocorrências aconteceu no interior do Estado e acendem um alerta especial para os crimes contra mulheres [Veja abaixo o infográfico com a distribuição dos casos por trimestre, tipo de crime e região, ao final da reportagem].
Primeiro trimestre foi o mais violento do ano
O ano começou com índices elevados de letalidade. Janeiro, fevereiro e março concentraram o maior número de registros, somando 128 ocorrências, o maior volume entre todos os trimestres de 2025.
- Janeiro: 46 casos
- Fevereiro: 36 casos
- Março: 46 casos
Na sequência, o terceiro trimestre (julho a setembro) registrou 120 ocorrências, seguido pelo segundo trimestre, com 97, e pelo último trimestre, que encerrou o ano com 94 crimes violentos letais.
Apesar da queda de cerca de 27% no último trimestre, em comparação com o mesmo período de 2024, o recuo não foi suficiente para reduzir de forma significativa a letalidade anual.
Comparação histórica: queda gradual, mas números ainda altos
Mesmo com leve redução, os números de 2025 seguem elevados quando analisados em série histórica. Confira o total de CVLI registrados nos últimos cinco anos em Mato Grosso do Sul:
- 2021: 486
- 2022: 489
- 2023: 468
- 2024: 454
- 2025: 439
O pico foi registrado em 2022, ano mais violento da série recente.
Interior concentra maioria das mortes e fronteira preocupa
Do total de 439 crimes registrados em 2025, 307 ocorreram no interior do Estado, contra 132 em Campo Grande. Dentro desse recorte, a faixa de fronteira concentra a maior preocupação: 220 casos foram registrados em municípios fronteiriços.
Um dos episódios mais graves ocorreu em Rochedo, a 67 quilômetros da Capital, onde três pessoas da mesma família foram mortas de forma violenta em novembro. O caso reforçou o alerta das autoridades para a escalada da violência fora dos grandes centros urbanos.
Homicídio doloso responde por 84% dos casos
A maior parte dos CVLI registrados em 2025 foi classificada como homicídio doloso, quando há intenção de matar. Ao todo, foram 372 ocorrências, o equivalente a 84% dos crimes letais no Estado.
Na sequência aparecem:
- Feminicídios: 37
- Lesão corporal seguida de morte: 14
- Latrocínios (roubo seguido de morte): 11
- Maus-tratos com resultado morte: 3
- Infanticídio: 1
- Estupro de vulnerável com resultado morte: 1
A classificação de CVLI é adotada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e reúne sete tipos de crimes letais.
Feminicídios e mortes violentas de mulheres preocupam autoridades
Um levantamento do Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gacep), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, aponta que 146 mulheres morreram de forma violenta em Campo Grande nos últimos dez anos.
Desse total:
- 74 casos (50,68%) foram feminicídios
- 72 (49,32%) foram homicídios dolosos, incluindo situações como acidentes de trânsito provocados por embriaguez
O estudo analisou ocorrências registradas entre 2015 e outubro de 2025 pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) da Capital.
Regiões e perfil das vítimas acendem novo alerta
Segundo o relatório, a região do Anhanduizinho concentrou o maior número de feminicídios, com 21 casos, representando 29,2% do total. O ano mais crítico foi 2020, com 19 mortes violentas de mulheres, sendo 12 feminicídios.
Outro dado que chamou a atenção dos pesquisadores foi a faixa etária das vítimas: dez mulheres tinham entre 0 e 17 anos, o que, segundo o Gacep, reforça a necessidade de atenção especial à infância e adolescência para evitar a perpetuação do ciclo de violência.
Recomendações e desafios
O relatório foi encaminhado ao Ministério Público com recomendações para o fortalecimento das investigações, melhoria na classificação dos crimes, responsabilização dos autores e ampliação da proteção às mulheres, especialmente as que vivem em situação de vulnerabilidade.
Mesmo com oscilações trimestrais, os dados mostram que a violência letal segue como um dos principais desafios da segurança pública em Mato Grosso do Sul.
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