“Comissão do Senado monitora cenário na Venezuela após prisão de Maduro”, diz Nelsinho Trad

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O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) - (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Operação dos EUA reacende alerta sobre instabilidade regional e efeitos para o Brasil

O desdobramento da crise política na Venezuela entrou no radar do Congresso brasileiro poucas horas após a confirmação de uma ação militar dos Estados Unidos no país vizinho. A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado passou a acompanhar a situação e avalia a convocação de reuniões emergenciais, diante do impacto regional do episódio e da preocupação com brasileiros que vivem em território venezuelano.

O alerta foi feito pelo presidente da comissão, o senador Nelsinho Trad (PSD-MS). Segundo ele, apesar do histórico de violações atribuídas ao governo de Nicolás Maduro, a prioridade, neste momento, é garantir a segurança dos cidadãos brasileiros e monitorar possíveis reflexos na fronteira com o Brasil.

Maduro foi capturado no sábado (3) durante uma operação militar dos Estados Unidos dentro da Venezuela. De acordo com informações oficiais, ele e a esposa, Cilia Flores, foram retirados da residência onde estavam, durante a madrugada, e levados no mesmo dia para os Estados Unidos, onde chegaram sob custódia da DEA (Administração de Repressão às Drogas).

Em declaração, Nelsinho Trad afirmou que os “malfeitos de Maduro não podem ser perdoados”, mas ponderou que a instabilidade gerada pela ação exige cautela diplomática. “Há impactos diretos na região de fronteira e precisamos estar atentos à situação dos brasileiros que vivem ou circulam pela Venezuela”, disse o senador.

Diante do cenário, a CRE avalia a realização de reuniões extraordinárias, que podem ocorrer mesmo durante o recesso parlamentar, por meio da Comissão Representativa do Congresso Nacional.

Bombardeios e mudança no comando

A captura de Maduro ocorreu por volta das 2h da madrugada (horário de Mato Grosso do Sul e de Caracas). Logo após a operação, os Estados Unidos realizaram bombardeios em Caracas e em outras cidades venezuelanas, atingindo bases militares, portos, aeroportos e estruturas de comunicação.

O presidente norte-americano, Donald Trump, confirmou a prisão de Maduro e da primeira-dama ainda na manhã de sábado.

Com a detenção do presidente, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu interinamente o comando do país e exigiu a libertação de Maduro. O Brasil reconheceu Delcy Rodríguez como chefe de Estado interina, conforme declarou a ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha.

“Na ausência do atual presidente, Maduro, é a vice-presidente quem assume. Ela está como presidente interina”, afirmou a ministra.

A situação segue em acompanhamento pelas autoridades brasileiras e deve pautar os próximos debates no Senado, especialmente no que diz respeito à segurança regional e às relações diplomáticas com os países envolvidos.