Manifestação reuniu cerca de 40 pessoas na Praça do Rádio Clube, que destacaram esperança e cautela para o futuro do país
Cerca de 40 venezuelanos se reuniram na tarde deste domingo (4) em Campo Grande para celebrar a prisão do ditador Nicolás Maduro, ocorrida no sábado (3) durante uma operação militar dos Estados Unidos. Com faixas e bandeiras, o grupo ocupou a Praça do Rádio Clube e expressou esperança com a transição política na Venezuela, ao mesmo tempo em que demonstrou preocupação com a permanência de integrantes do antigo regime no país.
A presidente da Associação Venezuelana de Campo Grande, Mirtha Carpio, lembrou que o regime chavista trouxe fome, perseguição política e sofrimento por décadas. Ela deixou a Venezuela em 2008 e afirmou que hoje se sente estável no Brasil, sem intenção de retornar imediatamente ao país natal. “Posso resumir tudo em pobreza extrema. As pessoas estão saindo do país doentes, porque não há medicamentos, nem comida, nem o básico. Hoje é uma celebração do início da transição para a liberdade”, disse.
Para Carpio, a vice-presidente interina Delcy Rodríguez deverá liderar a transição com apoio internacional, incluindo dos Estados Unidos, garantindo que a mudança política aconteça de forma organizada e sem aumentar a instabilidade.
A cientista política Lourdes Montilla, que vive há três anos no Brasil após períodos no Peru e na Venezuela, classificou a operação como “uma extração cirúrgica” do ditador, destacando que a ação não causou danos graves e marcou um passo importante para o país. “Sempre existem danos colaterais, mas esse é o preço que precisamos pagar”, comentou.
Outros participantes da manifestação também compartilharam relatos sobre a vida sob o regime de Maduro. Francisco José Motaban, venezuelano há sete anos em Campo Grande, afirmou que a captura trouxe esperança, mas ressaltou que o foco internacional não deve ser apenas o petróleo, mas também o potencial humano espalhado pelo mundo. Darwin Berbin, de 32 anos, destacou o medo ainda presente na população que permanece na Venezuela, enquanto José Manoel Ramos, de 24 anos, defendeu novas eleições como caminho para a estabilidade do país.
Apesar do clima de comemoração, os manifestantes lembraram que a transição está apenas no início e que ainda há desafios pela frente. Muitos planejam aguardar dois a três anos antes de retornar à Venezuela, para garantir segurança e condições financeiras adequadas. Para eles, a prisão de Maduro representa tanto o fim de um ciclo quanto a esperança de um futuro melhor.




















