Atraso no salário força nova paralisação dos funcionários da Santa Casa; direção alega falha técnica no recebimento do repasse

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Foto: Reprodução/Vídeo

Funcionários da área da enfermagem protagonizaram um protesto na manhã dessa sexta-feira (09) contra a Santa Casa de Campo Grande ante a falta do pagamento, previsto para ocorrer até a data de ontem (08), quinto dia útil do mês. A direção do hospital, por sua vez, justificou que houve uma falha técnica no sistema de repasse da Prefeitura Municipal, o que provocou o atraso, mas que será solucionado nas próximas horas.

O Siems (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de MS) liderou o movimento, que surpreendeu pacientes e acompanhantes no saguão principal. “Mais uma vez um dia de humilhação na Santa Casa de Campo Grande, virou rotina, virou piada”, destacou o presidente da entidade representativa Lázaro Santana. Pelo menos 50% da categoria aderiu à paralisação, enquanto a outra metade manteve os trabalhos.

“Estamos mobilizados desde o fim do ano passado, quando a Santa Casa passou a não cumprir os prazos de pagamento. Hoje, além da parcela do 13º, os trabalhadores aguardam o salário, que venceu no dia 7”, afirma o presidente do sindicato. “O que nos preocupa é que as informações são sempre contraditórias. Dizem que o dinheiro está disponível, mas que não foi repassado por problema de sistema. Isso já virou rotina. Chegou o fim do mês, precisamos paralisar para pressionar e receber”.

Alir Terra, presidente da Santa Casa, confirmou a situação do problema no sistema, acusando que a responsabilidade é da equipe de TI da própria Prefeitura. Ao mesmo tempo, ela adiantou que o repasse na ordem de R$ 6,2 milhões já está sendo disponibilizado e quando entrar na conta o salário será pago aos trabalhadores. A expectativa é que até o final desta tarde o caso já esteja solucionado. Além do salário, o hospital deve pagar até o sábado (10) a segunda parcela do 13º salário dos funcionários, acordado em 2025.

Termos aditivos

Neste mês, a Prefeitura firmou mais um termo aditivo com a Santa Casa, de número 46, referente ao Convênio de nº 03-A/2021. O valor é de R$ 54.181.702,00, envolvendo recursos do próprio município (R$ 15.117.702,00), Governo do Estado (R$ 23.064.000,00) e da União (R$ 16 milhões). Os valores do Município e Estado serão pagos em parcelas que vão de janeiro a abril deste ano, enquanto os recursos federais, fruto de emendas parlamentares, previstos até março de 2026 por meio da Secretaria de Estado de Saúde.

Em dezembro, já tinha sido firmado outro termo aditivo, de número 45, referente ao período de 1º de dezembro de 2025 a 30 de janeiro de 2026. Além da prorrogação, foi autorizado um acréscimo pontual de R$ 1 milhão, referente à competência de dezembro, com recursos do município, como medida de reequilíbrio econômico do hospital, conforme acordo firmado em reunião no MPMS no dia 6 de março de 2025.

O mesmo termo também incluiu um novo valor mensal de R$ 1.867.322,97, correspondente à correção pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), determinada por decisão judicial proferida em 28 de novembro de 2025. Com isso, a partir de dezembro de 2025, o convênio passou a incorporar quase R$ 2,9 milhões mensais adicionais, somando o aporte municipal e a correção inflacionária imposta pela Justiça.