Inpe aponta avanço do desmatamento no Pantanal em meio à queda nacional

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Dados do Prodes/Inpe mostram alta de 16,5% na retirada de vegetação nativa (Foto: Divulgação)

Bioma teve aumento de 16,5% na supressão de vegetação nativa entre 2023 e 2024

Enquanto a maior parte do país registrou queda no desmatamento em 2024, o Pantanal seguiu caminho oposto. Dados consolidados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o bioma teve aumento de 16,5% na supressão de vegetação nativa em relação a 2023, figurando entre os únicos do Brasil onde o índice avançou no último ano.

O levantamento faz parte do sistema Prodes (Monitoramento Anual da Supressão de Vegetação Nativa) e analisou imagens de satélite de todos os biomas brasileiros. Segundo o Inpe, apenas Pantanal e Caatinga apresentaram crescimento no desmatamento. Na Caatinga, o aumento foi de 9,93%.

Em contrapartida, cinco biomas tiveram redução da área desmatada entre 2023 e 2024. A Amazônia registrou queda de 28,09%, enquanto áreas não florestais do bioma tiveram redução de 5,27%. No Cerrado, o recuo foi de 25,76%. A Mata Atlântica apresentou a maior diminuição percentual, com 37,89%, seguida pelo Pampa, com redução de 20,08%.

De acordo com o Inpe, é considerada supressão de vegetação nativa toda remoção da cobertura vegetal original, independentemente do tipo de vegetação ou do uso futuro da área. As análises são feitas a partir de imagens de satélite que identificam automaticamente áreas de supressão, posteriormente validadas por interpretação visual.

Para a vice-coordenadora do programa BiomasBR, do Inpe, Silvana Amaral, a redução do desmatamento na maioria dos biomas confirma a efetividade de políticas públicas de comando e controle, além de mecanismos regulatórios firmados entre a sociedade civil e setores ligados ao comércio e à exportação de produtos agropecuários.

Apesar do cenário positivo em grande parte do país, o avanço do desmatamento no Pantanal acende um alerta, especialmente por se tratar de um bioma sensível, marcado por ciclos naturais e já impactado por eventos extremos, como secas prolongadas e incêndios florestais.

A consolidação dos dados do Prodes permite avaliar tendências de médio e longo prazo do desmatamento no Brasil e serve como base para a formulação e o aprimoramento de políticas públicas ambientais.