BC e TCU se reúnem em meio a impasse sobre liquidação do Banco Master

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Banco Central e TCU debatem inspeção do caso Banco Master (Foto: Banco Master)

Encontro ocorre em meio a impasse sobre inspeção da Corte de Contas; objetivo é conciliar fiscalização do TCU e autonomia do Banco Central

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, recebe nesta segunda-feira (12) o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo Filho, para uma reunião marcada na sede da autoridade monetária, em Brasília. O encontro ocorre em meio a uma delicada negociação institucional sobre a fiscalização do processo que levou à liquidação do Banco Master.

Segundo a agenda oficial do BC, o encontro será dedicado a “assuntos institucionais”. Além de Vital do Rêgo, participam representantes do TCU, como a secretária-geral de Controle Externo, Juliana Pontes; o secretário-geral de Comunicação, Flávio Takashi Sato; e a auditora-chefe adjunta da Secretaria-Geral de Controle Externo, Maria Bethânia Lahoz.

O pano de fundo da reunião é a decisão do BC de liquidar o Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro, em novembro de 2025, e a posterior determinação do ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso no TCU, para uma inspeção técnica na instituição. A medida foi suspensa após recurso do Banco Central, que argumentou que a inspeção não poderia ser ordenada individualmente, mas precisava ser deliberada pelo plenário do TCU. A expectativa é que o recurso seja analisado na primeira sessão após o recesso, em 21 de janeiro.

Em entrevistas recentes, Vital do Rêgo destacou que a reunião visa conciliar a atuação de fiscalização do TCU com a autonomia do Banco Central, reforçando que a autoridade monetária agiu corretamente ao determinar a liquidação do banco. “O que nós veremos é que o BC teve toda razão em liquidar o Banco Master, como faz qualquer agência reguladora”, afirmou o ministro à GloboNews.

O episódio gerou debates no setor financeiro e político. Após a determinação inicial de inspeção, diversas instituições, incluindo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), emitiram nota de apoio ao BC, ressaltando a independência do regulador e a importância da estabilidade do sistema financeiro.

O caso do Banco Master destaca a tensão entre fiscalização e autonomia regulatória, colocando em pauta a forma como órgãos de controle e autoridades monetárias interagem em decisões que impactam a economia e o mercado bancário.