Conselho do São Paulo aprova impeachment e afasta Julio Casares da presidência

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Júlio Casares (Foto: Redes Sociais/Reprodução)

Vice-presidente Harry Massis Jr assume o comando do clube após votação no Morumbis

Em uma noite de votação decisiva no Morumbis, o São Paulo Futebol Clube viveu uma mudança abrupta em seu comando. O presidente Julio Casares foi afastado preventivamente do cargo após o Conselho Deliberativo aprovar, nesta sexta-feira (16), a abertura do processo de impeachment.

Ao todo, 188 conselheiros votaram a favor do afastamento, 45 foram contra e dois votos foram em branco. Com o resultado, o vice-presidente Harry Massis Júnior, de 80 anos, assume imediatamente a presidência do clube. Empresário do ramo hoteleiro, ele também é proprietário de uma rede de estacionamentos na capital paulista.

Em pronunciamento após o anúncio do resultado, Massis afirmou que assume o cargo em um momento delicado e pediu serenidade diante das investigações em andamento. “Hoje não é um dia simples para o nosso clube. É um dia de responsabilidade. Assumo a presidência com muito respeito à história dessa instituição e, principalmente, à torcida, que é o maior patrimônio que nós temos”, declarou.

O novo presidente ressaltou que o foco da gestão será a preservação institucional do São Paulo. “O clube vai continuar competindo e honrando sua camisa e sua história. A presidência que começa hoje tem um compromisso simples e firme: cuidar do clube, proteger a instituição e agir com responsabilidade e transparência”, afirmou. Massis também disse estar pessoalmente abalado com a situação. “Estou triste. Não era isso que eu queria. O São Paulo não merece o que aconteceu.”

Derrotado no Conselho, Julio Casares permanece afastado do cargo até que o impeachment seja analisado em Assembleia Geral dos sócios, que deverá ser convocada em até 30 dias. Para a aprovação nesta sexta-feira, eram necessários ao menos 170 votos favoráveis — o equivalente a dois terços dos 254 conselheiros do clube.

A reunião foi realizada em formato híbrido, com participação presencial no Morumbis e acesso remoto. Dos 223 conselheiros presentes, 168 participaram presencialmente e 55 de forma online. A votação ocorreu por meio de voto secreto.

O encontro também foi marcado por protestos de torcedores nos arredores da sede social do clube. Organizadas do São Paulo se reuniram para pressionar pelo afastamento de Casares e criticaram membros da atual diretoria. Além do presidente, também foram alvos das manifestações Mara Casares, ex-diretora feminina, cultural e de eventos do clube, e Douglas Schwartzmann, ex-diretor adjunto das categorias de base.

O pedido de impeachment foi protocolado por um grupo de conselheiros e teve como principal base a denúncia de exploração clandestina de um camarote do Morumbis, revelada em reportagem publicada em dezembro. Em áudio obtido com exclusividade, Mara Casares e Douglas Schwartzmann admitem participação em um esquema envolvendo o uso irregular do espaço durante um show realizado no estádio.

O caso é alvo de dois inquéritos do Ministério Público — um na esfera cível e outro criminal. A investigação criminal está sob responsabilidade da Polícia Civil e apura possíveis desvios de recursos do clube. Entre os pontos investigados estão depósitos em dinheiro que somam R$ 1,5 milhão nas contas de Julio Casares e 35 saques realizados entre 2021 e 2025, que totalizam R$ 11 milhões.