Obras avançam após recesso de fim de ano e etapas finais incluem iluminação, pavimentação e calçadas; acessos brasileiros ficam prontos em 2028
A ponte internacional da Rota Bioceânica, que vai ligar Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, a Carmelo Peralta, no Paraguai, está prestes a se encontrar: restam apenas 128 metros para que as duas metades da estrutura se unam, marco previsto para o fim de maio. Com 1,2 mil metros de extensão, a passarela será peça central de um corredor logístico que promete reduzir em até 17 dias o transporte de cargas brasileiras para a Ásia.
Os trabalhos foram retomados em 7 de janeiro, após o recesso de fim de ano, e avançaram 12 metros em apenas dez dias. A próxima etapa da obra, que inclui calçadas, pistas, iluminação, pavimentação e sinalização, deve ser concluída até agosto. Já o acesso pelo lado paraguaio tem previsão de liberação em novembro.

A ponte terá 21 metros de largura e 35 metros de altura, com vão central estaiado de 632 metros sustentado por torres de 130 metros. O investimento de US$ 100 milhões é totalmente financiado pela Itaipu Binacional do lado paraguaio, dentro de um projeto maior de US$ 1,1 bilhão que inclui pavimentação e obras viárias ao longo do trecho de 580 km entre Carmelo Peralta e Pozo Hondo.
O consórcio PYBRA, formado pelas empresas Tecnoedil, Paulitec e Cidades Ltda, coordena a execução da ponte sob supervisão do engenheiro paraguaio Renê Gómez. Paralelamente, as alças de acesso no Brasil estão sendo construídas, ligando a BR-267 à ponte em Porto Murtinho, com investimento aproximado de R$ 574 milhões. A expectativa é que essas rodovias só sejam totalmente liberadas em 2028.
A Rota Bioceânica terá 2.396 quilômetros e atravessará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, conectando os oceanos Atlântico e Pacífico. Especialistas estimam que o corredor poderá movimentar até US$ 1,5 bilhão por ano em exportações de carnes, açúcar, farelo de soja e couros, fortalecendo a integração comercial do Centro-Oeste brasileiro com a Ásia e outros mercados internacionais.
Até agora, cerca de 30% das obras de acesso à ponte foram concluídas. Do lado paraguaio, avançam serviços de terraplenagem e aterro hidráulico em 4,5 km, enquanto no Brasil seguem os trabalhos de colocação de pré-lajes, vigas e concretagem. A fiscalização envolve engenheiros brasileiros e paraguaios, garantindo que o novo corredor logístico esteja pronto para reduzir custos e tempo de transporte entre os dois continentes.











