Liquidações de Master e Will Bank: o que observar para saber se um banco é seguro para investir

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Will Bank foi liquidado nesta quarta-feira (21) por decisão do Banco Central (Foto: Will Bank/ reprodução)

Entenda o papel do FGC e outros critérios que indicam a saúde financeira de um banco

Depois de um período de aparente calmaria no sistema financeiro, a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, desencadeou uma sequência de intervenções do Banco Central que voltou a acender o alerta entre investidores. Desde então, seis instituições financeiras sofreram medidas diretas da autoridade monetária. A mais recente foi o Will Bank, fintech com cerca de 12 milhões de clientes, que teve a liquidação extrajudicial decretada nesta quarta-feira (21).

Apesar do impacto causado pela medida, a maior parte dos investidores dessas instituições deverá ser ressarcida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo que protege aplicações financeiras em caso de falência bancária. O fundo, no entanto, cobre valores de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por instituição. Quem tem montante superior a esse limite terá de aguardar a apuração dos ativos para saber se haverá recursos suficientes para devolução do restante.

O FGC garante produtos como CDB, LCI, LCA, além de depósitos em conta-corrente e poupança. Antes de investir, especialistas recomendam verificar se a instituição financeira faz parte do fundo — consulta que pode ser feita no site oficial do FGC. Criado em 1994, após a crise bancária que sucedeu o Plano Real, o fundo é mantido com recursos dos próprios bancos.

A liquidação do Banco Master deve se tornar a maior operação de ressarcimento da história do FGC, com valor estimado em cerca de R$ 47 bilhões. O reembolso aos clientes do Will Bank está incluído nesse montante, já que a fintech integra o mesmo grupo econômico.

Para o presidente da Abradeb (Associação Brasileira de Defesa dos Clientes e Consumidores de Operações Financeiras e Bancárias), Raimundo Nonato, o episódio serve de alerta. Segundo ele, a rentabilidade oferecida não deve ser o único critério na escolha de uma instituição financeira.

“O caso do Banco Master e, por consequência, do Will Bank, mostra que é essencial analisar a saúde financeira do banco. Ofertas muito acima da média de mercado podem indicar dificuldades internas”, afirma.

Entre os principais pontos de atenção destacados pelo especialista estão o Índice de Basileia — que mede a capacidade do banco de absorver perdas —, o rating de crédito atribuído por agências internacionais e a consistência dos lucros ao longo do tempo. No Brasil, o Banco Central exige índice mínimo de 10,5%, mas especialistas consideram níveis acima de 15% mais seguros.

Raimundo Nonato também alerta para taxas excessivamente atrativas. O Banco Master, por exemplo, chegou a ofertar CDBs com rendimento de até 185% do CDI. “Quando a promessa de retorno parece boa demais, geralmente o risco também é maior”, diz.

Para investidores mais conservadores, a recomendação é priorizar aplicações de menor risco, como títulos do Tesouro Direto, CDBs de grandes bancos e a poupança, que, apesar do rendimento mais baixo, conta com garantia do FGC e elevada segurança.

No caso específico do Will Bank, o FGC informou que já acionou o mecanismo de garantia e estima pagar cerca de R$ 6,3 bilhões aos clientes que tinham até R$ 250 mil aplicados. Os pagamentos seguirão o regulamento do fundo e dependem da consolidação dos dados feita pelo liquidante nomeado pelo Banco Central.

Já os valores que excedem o teto de cobertura entrarão em uma lista de credores e poderão ser pagos conforme a venda dos ativos remanescentes da instituição.

“A orientação principal para os clientes é manter a calma e buscar informações apenas nos canais oficiais. As operações do banco estão suspensas e a administração agora está sob responsabilidade do liquidante”, reforça Raimundo Nonato.