Censo das Famílias Atípicas já registra 180 cadastros; oito casos graves foram atendidos

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(Foto: Freepick)

Campo Grande já tem 180 famílias cadastradas no Censo das Famílias Atípicas da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, desenvolvido por meio do Núcleo de Atenção à Saúde (NAS). A ferramenta foi lançada em dezembro de 2025 para mapear e traçar o perfil deste público, bem como as necessidades de cada uma.

Do total listado até agora, oito crianças foram enquadradas como situação grave, pois precisavam com urgência da troca do bóton de gastrostomia, dispositivo essencial para alimentação. Em alguns casos, o equipamento estava inflamado e sem substituição havia meses. A articulação imediata garantiu o fornecimento dos novos bótons antes do recesso de ano novo.

“Essas famílias estavam invisíveis. O censo nasce exatamente para romper essa invisibilidade”, destaca a coordenadora do NAS, defensora pública Eni Maria Sezerino Diniz. Segundo ela, o levantamento revelou um público extremamente vulnerável. “São famílias com múltiplas necessidades: atendimento médico especializado, acesso à escola, renda, suporte social e, muitas vezes, estrutura familiar fragilizada”.

dra. eni
Coordenadora do NAS, defensora Eni Maria Sezerino Diniz (Foto: Arquivo/ DPMS)

A iniciativa surgiu a partir da articulação entre a Defensoria e a Prefeitura de Campo Grande para a criação de um núcleo especializado de atendimento às múltiplas necessidades em saúde. Até então, o Município não possuía qualquer levantamento sobre esse público. “O que chegava era pedidos pontuais, fragmentados, sem compreensão do contexto socioeconômico”, explicou Diniz.

Com o censo, a Defensoria passou a estimar a demanda real, identificar famílias com ou sem processos judiciais e mapear obstáculos recorrentes no acesso a direitos básicos. O cadastramento começou em dezembro do ano passado e segue aberto, funcionando como uma base permanente de dados para orientar ações institucionais e políticas públicas.

“Quando identificamos uma situação crítica, nossa equipe vai até a família para verificar de que forma a Defensoria pode atuar”, complementou. Esse trabalho de proximidade também fortaleceu o apoio à formação de uma associação de mães atípicas, iniciativa que busca dar organização, voz e representatividade a um grupo marcado pelo sofrimento e pela exclusão.

A coordenadora reforça que o objetivo é que essas famílias tenham força coletiva, consigam se estruturar e ampliar o acesso a direitos. “Ouvir essas famílias é o primeiro passo para construir políticas públicas mais humanas, justas e eficazes”, concluiu.

O Censo das Famílias Atípicas de Campo Grande é para pessoas com deficiência, TEA, doenças raras ou condições crônicas. O preenchimento é feito por formulário eletrônico (clique aqui), com garantia de sigilo e uso exclusivo das informações para fins institucionais.