Consumo segue em zona positiva em Campo Grande, aponta CNC

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Pesquisa mostra diferença de percepção entre famílias de alta e baixa renda

Famílias de maior renda puxam índice, enquanto consumidores de menor renda mantêm cautela

O ano começou com sinal verde para o consumo em Campo Grande — mas não para todos do mesmo jeito. A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) iniciou 2026 em 107,0 pontos, mantendo-se acima da linha de satisfação, segundo levantamento divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Por trás do resultado positivo, porém, está uma diferença clara entre as faixas de renda, que revela ritmos distintos de confiança e disposição para gastar na capital sul-mato-grossense.

O índice foi puxado principalmente pelas famílias com renda acima de 10 salários mínimos, que alcançaram 119,8 pontos, demonstrando maior segurança financeira e otimismo em relação ao consumo. Já entre as famílias que ganham até 10 salários mínimos, o indicador ficou em 104,5 pontos — ainda em zona de satisfação, mas com postura mais cautelosa diante do cenário econômico.

A disparidade aparece de forma mais evidente nos recortes ligados a emprego, renda e crédito. No quesito emprego atual, as famílias de maior renda atingiram 154,1 pontos, enquanto as de menor renda marcaram 134,2 pontos. A avaliação da renda atual seguiu a mesma tendência: 130,6 pontos entre os que ganham mais, contra 114,8 pontos no grupo de renda mais baixa.

O acesso ao crédito é outro fator que amplia essa distância. Entre as famílias com renda superior a 10 salários mínimos, o índice ficou em 104,1 pontos, acima da linha de satisfação. Já para quem recebe até 10 salários mínimos, o indicador foi de 85,9 pontos, permanecendo em zona de insatisfação e indicando maior dificuldade para financiar compras.

Apesar do cenário desigual, a pesquisa mostra melhora na percepção do consumo em ambas as faixas de renda. O nível de consumo atual avançou para 86,5 pontos entre as famílias de menor renda e chegou a 107,1 pontos entre as de maior renda, sinalizando que este último grupo já percebe aumento efetivo nas compras.

“O índice geral segue positivo, mas o recorte por faixa de renda mostra realidades bem distintas. As famílias com renda acima de 10 salários mínimos apresentam maior segurança financeira, o que sustenta a intenção de consumo em patamar mais elevado. Já entre as famílias de menor renda, a cautela permanece, influenciada principalmente pelo custo de vida e pela percepção mais restritiva do crédito”, analisa a economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS (IPF/MS), Regiane Dedé de Oliveira.

Segundo a economista, a reação do consumo tende a ocorrer primeiro entre os consumidores de maior renda. “Eles têm mais folga no orçamento e acesso ao crédito. Para as famílias de menor renda, a melhora é mais gradual e depende de fatores como estabilidade no emprego e desaceleração dos preços”, explica.

A Pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) é realizada mensalmente pela CNC e avalia a percepção dos consumidores sobre emprego, renda, consumo e crédito. O indicador é considerado um termômetro importante para antecipar o comportamento do consumo no comércio e nos serviços.