Iniciativa do Sebrae em parceria com o governo estadual está presente em 36 municípios e já reflete no aumento da abertura de empresas
Empreender em Mato Grosso do Sul deixou de ser apenas uma aposta individual e passou a integrar uma estratégia de Estado. Em diferentes regiões, pequenos negócios ganham fôlego a partir da modernização da gestão pública e do apoio técnico aos municípios — um movimento que começa nas prefeituras, chega aos empreendedores e já aparece nos números da economia.
Executado pelo Sebrae MS em parceria com o Governo do Estado, por meio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), o programa Cidade Empreendedora está presente atualmente em 36 municípios sul-mato-grossenses. A iniciativa tem como foco criar um ambiente de negócios mais favorável, fortalecer a economia local e deixar um legado voltado à eficiência administrativa e à melhoria da qualidade de vida da população.
Em execução desde julho de 2025, o programa ampliou o olhar sobre o empreendedorismo ao integrar ações que impactam diretamente a gestão municipal. A atuação é organizada em três frentes estruturantes — Excelência, Avança e Transforma — que adaptam soluções conforme o grau de maturidade de cada cidade, respeitando vocações econômicas e desafios regionais.
Um dos principais instrumentos desse ciclo é o Plano de Desenvolvimento Municipal (PDM), que define prioridades locais e orienta ações contínuas de capacitação, qualificação profissional e educação empreendedora. Desde que foi implantado em Mato Grosso do Sul, em 2018, o Cidade Empreendedora já atendeu 45 municípios, o equivalente a 57% das cidades do Estado.
Os reflexos aparecem nos indicadores econômicos. Apenas nos primeiros 15 dias de 2026, Mato Grosso do Sul registrou a abertura de 3.100 empresas, sendo 98% pequenos negócios. Os Microempreendedores Individuais (MEIs) lideram as formalizações, respondendo por 87% do total. Para quem deseja empreender ou regularizar um negócio, o Sebrae MS oferece atendimento em todo o Estado, com orientação técnica e acesso a programas de apoio.
Como parte desse esforço, o Sebrae e o Governo do Estado lançam, no início de fevereiro, a terceira edição do MS Empreende Mais. O encontro vai apresentar os resultados de 2025, as ações previstas para 2026 e o convênio firmado entre as instituições, com destaque para o programa Cidade Empreendedora.
Na prática, os impactos da estratégia se traduzem em histórias como a da artesã Luciana de Lima Machado Kaninoski, moradora de Maracaju. Ela criou, em 2018, a Boutique das Artes e Chimarrão, especializada em produtos artesanais personalizados, que vão de chaveiros a troféus e brindes institucionais.
Luciana conta que a virada no negócio começou com a participação no Sebrae Delas Mulheres de Negócio, primeiro projeto da instituição do qual fez parte. “Atuo no artesanato há mais de 20 anos. Comecei com o crochê como fonte de renda quando morava em uma fazenda, longe da cidade e sem internet. Vendia por indicação e fui aprendendo novas técnicas ao longo do tempo”, relata.
Mesmo com acesso limitado à internet e pouco conhecimento em ferramentas digitais, ela concluiu todas as etapas do programa, incluindo consultorias e workshops. O apoio se intensificou depois, por meio do programa Move+. “Foi um período delicado da minha vida, e esse suporte fez toda a diferença”, afirma.
Hoje, Luciana cuida da produção, atendimento, marketing e gestão do negócio e conta com parcerias pontuais para atender grandes encomendas. “Quando a demanda aumenta, terceirizo parte da produção para outras artesãs”, explica. Para ela, o papel do Sebrae foi decisivo. “Metade é esforço nosso, mas os outros 50% foram, com certeza, do Sebrae”, diz. Atualmente, ela integra o selo Made in Pantanal e comercializa os produtos na loja física, pelas redes sociais e em feiras e eventos regionais.
Outro exemplo vem do campo. Aos 69 anos, o produtor rural José Alceu da Silva Cabral é um dos proprietários da Queijos Dazu, em Jaraguari. A relação com o Sebrae começou ainda na década de 1990, quando ele atuava na área da educação. “Criamos uma escola modelo e fomos destaque em Campo Grande por apostar em uma proposta mais humanizada”, relembra.
A mudança de rumo ocorreu com a decisão de investir no meio rural. A adesão do município de Jaraguari ao programa Cidade Empreendedora abriu novas possibilidades. “Vieram cursos, capacitações e avanços que ajudaram na produção, na gestão e até no turismo”, afirma.
Inicialmente focado apenas na produção de leite, o casal decidiu investir na fabricação de queijos para agregar valor ao produto. Hoje, a Queijos Dazu produz 35 tipos diferentes, integra uma cooperativa e fornece alimentos para programas públicos, além de atender o comércio local e participar de feiras. A propriedade é certificada como de baixo carbono e se destaca pela qualidade do leite.
Para o futuro, José Alceu projeta ampliar a presença no mercado, com a abertura de uma loja física da cooperativa.
Dados da Receita Federal reforçam o cenário positivo. Em 2025, foram registrados 69.387 novos empreendimentos em Mato Grosso do Sul — o maior volume entre 2021 e 2025, com crescimento de 31% em relação a 2021. Ao longo do período, os pequenos negócios concentraram entre 84% e 96% das formalizações, consolidando o empreendedorismo como um dos pilares do desenvolvimento econômico do Estado.




















