A história de Sun Wukong, o Rei Macaco (que talvez você precise conhecer)

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(Foto: Pixels)

Sun Wukong, também chamado de Rei Macaco, é uma das figuras mais fascinantes do imaginário chinês e, apesar de pouco conhecido no Brasil, ocupa um papel similar ao de heróis e deuses da mitologia grega no Ocidente. 

Originado no clássico “Jornada para o Oeste”, do século XVI, seu mito atravessou mais de quatro séculos e ainda inspira incontáveis adaptações dentro e fora da China. Nas próximas linhas você entenderá por que Sun Wukong permanece tão vivo na cultura asiática, revelando lições sobre orgulho, redenção e sabedoria.

A origem do mito

Na lenda, Sun Wukong surge de uma pedra mágica no topo da Montanha das Flores e Frutas, moldado pelo vento, pela terra e pelas energias celestiais ao longo das eras. Detentor de um espírito inquieto, Wukong domina artes marciais e aprende magias taoístas, inclusive as 72 transformações, tornando-se imortal após consumir pêssegos sagrados e elixires dos deuses.

No auge de seu poder, a sede por reconhecimento o leva a desafiar o próprio Céu: autoproclama-se “Grande Sábio Igual ao Céu” e enfrenta o Imperador de Jade e todo o exército celestial. Sua revolta, porém, cobra um preço alto. Somente Buda consegue contê-lo, aprisionando-o debaixo de uma montanha por 500 anos. 

A história de Wukong ganha novos contornos quando ele é libertado para atuar como guardião do monge Tang Sanzang em uma peregrinação repleta de perigos rumo à Índia, buscando escrituras sagradas e vivendo uma verdadeira epopeia de redenção e superação enfrentando inimigos por todo o caminho.

Dos livros clássicos à cultura pop

A força do mito do Rei Macaco se reflete em inúmeras adaptações contemporâneas no cinema, no teatro e até nos jogos. O filme mais conhecido é a “A Lenda do Rei Macaco” (2014), estrelado por Donnie Yen, mostrando Sun Wukong para novas gerações de espectadores. Nos games, o videogame “Black Myth: Wukong”, lançado em 2024 por uma desenvolvedora pouco conhecida, teve sucesso no mundo todo ao apresentar o herói com gráficos de última geração.

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Essa tradição de representar animais (ou seus símbolos) não se limita ao Rei Macaco. Filmes como “O Tigre e o Dragão” exploraram a simbologia do tigre como guardião e força vital, e a Ópera de Pequim há séculos exibe máscaras de animais do zodíaco chinês em alguns espetáculos. Hoje, essa herança cultural também se manifesta em jogos de cassino, como o jogo do tigrinho, no qual o tigre é representado por uma versão animada em 3D que interage com os jogadores, gira os rolos e revela os símbolos.

Lições da lenda de Wukong

A linha central da narrativa do Rei Macaco busca ilustrar o preço da arrogância em um indivíduo. O orgulho desmedido leva Wukong à desgraça (a rebelião contra os deuses, por exemplo, termina em séculos de solidão), em consequência, quando recebe a missão de proteger o monge Sanzang, ele tem a chance de se redimir.

Ao longo do caminho, enquanto serve e protege o monge dos mais poderosos inimigos, Sun Wukong aprende a equilibrar sua força com disciplina, descobrindo que o equilíbrio é a balança do destino. Outra lição da história é a importância da lealdade, do trabalho coletivo e da persistência diante dos maiores desafios, mostrando que ninguém chega a lugar nenhum sozinho, nem mesmo o mais poderoso dos homens.