Jararaca-do-cerrado dá à luz 17 filhotes em universidade de Campo Grande

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(Foto: Divulgação/UCDB)

Surpresa aconteceu durante rotina do Biotério da UCDB; filhotes já nascem com veneno funcional e aptos à sobrevivência

Uma jararaca-do-cerrado (Bothrops moojeni) surpreendeu a equipe do Biotério da UCDB ao dar à luz 17 filhotes na madrugada desta terça-feira (27), em Campo Grande. Resgatada em outubro de 2025 na Fazenda-Escola da instituição, a serpente estava em quarentena quando o nascimento foi identificado durante a rotina de manejo diário dos animais.

A espécie é vivípara, ou seja, os filhotes se desenvolvem no interior do corpo da fêmea, com gestação que varia de quatro a seis meses. Segundo a estagiária de Medicina Veterinária Yasmin Domingos, responsável por acompanhar o Biotério, a descoberta ocorreu durante a vistoria das caixas: “Todos os dias verificamos água, papelão e condições das serpentes. Hoje, encontrei vários filhotes. Sabíamos que era uma fêmea, mas não que estava prenhe”, contou.

Cada filhote pesa cerca de 11 gramas, mede aproximadamente 15 centímetros e já possui veneno funcional, pronto para a sobrevivência, já que a espécie não oferece cuidado parental. A mãe segue em quarentena, monitorada por ultrassom e suplementação alimentar, enquanto os filhotes permanecem em observação individual nos primeiros sete dias, com controle de umidade, temperatura e acesso à água, antes de começarem a alimentação.

Para a bióloga e médica veterinária Paula Helena Santa Rita, responsável pelo Biotério, o nascimento tem grande relevância científica. “O veneno de filhote é raro e de difícil acesso, e estudar a dinâmica do veneno nessa fase pode revelar componentes exclusivos, importantes para pesquisas farmacêuticas”, explicou.

Atualmente, o Biotério da UCDB abriga mais de 400 serpentes, sendo 360 peçonhentas, incluindo 33 urutus-cruzeiro, espécie nativa do Cerrado. O trabalho de resgate e monitoramento dos animais é realizado em parceria com o Cras (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres), a PMA (Polícia Militar Ambiental) e o Corpo de Bombeiros.

Este não é o primeiro nascimento de serpentes em cativeiro na universidade. Em 2011, uma jararaca-caiçara deu à luz 13 filhotes no mesmo Biotério, reforçando a importância do local para preservação, pesquisa científica e produção de veneno que pode ser utilizado na medicina, como em estudos para tratamento de hipertensão.