Pantanal em alerta: 69 focos de incêndio já preocupam Bombeiros em MS

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Pantanal registra aumento de incêndios florestais no início de 2026

Seca antecipada, chuvas irregulares e uso recorrente do fogo no campo elevam risco no bioma; equipes atuam com bases avançadas e apoio aéreo

O início de 2026 acendeu o sinal de alerta no Pantanal sul-mato-grossense. Com a seca antecipada, chuvas irregulares e o uso recorrente do fogo em áreas rurais, o Corpo de Bombeiros e organizações ambientais monitoram com atenção 36 municípios em situação de alerta para incêndios florestais, enquanto outros 35 permanecem em observação. Apesar de nenhum município registrar nível extremo até o momento, os primeiros focos já mobilizam equipes no bioma, reforçando a necessidade de prevenção contínua.

Entre 1º e 26 de janeiro, satélites identificaram 69 focos ativos no Pantanal, quase o dobro do mesmo período de 2025, de acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul. As ocorrências já atingem áreas estratégicas próximas ao Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, Nabileque, região norte de Corumbá e ao norte da Serra da Bodoquena.

Para conter as chamas, a corporação utiliza apoio aéreo com a aeronave Air Tractor, responsável por lançamentos de água e sobrevoos estratégicos que permitem localizar incêndios ainda em estágio inicial. Em paralelo, equipes de solo constroem aceiros para impedir a propagação do fogo, enquanto bases avançadas em áreas de difícil acesso reduzem o tempo de resposta aos focos.

O major Eduardo Rachid Teixeira, subdiretor da Diretoria de Proteção Ambiental do Corpo de Bombeiros, destacou que a intensidade dos focos em 2026 é atípica para o período. “Mesmo durante o período chuvoso, já identificamos incêndios com maior intensidade do que o habitual. Estamos reforçando nossa estrutura para manter a capacidade de resposta que alcançamos nos últimos anos”, afirmou.

Organizações como a SOS Pantanal reforçam que a prevenção é tão importante quanto o combate direto. Com 29 brigadas próprias e integração com outras 66 pelo bioma, a prioridade é preparar os territórios, treinar comunidades e construir aceiros para evitar que o fogo se espalhe de forma incontrolável. Gustavo Figueiroa, diretor de Comunicação da entidade, alerta: “O combate é fundamental, mas não suficiente. A preparação do território é a principal estratégia para evitar grandes incêndios”.

O cenário é agravado pelo acúmulo de biomassa do ano passado e pela baixa pluviosidade prevista para os próximos meses. Especialistas apontam que a vegetação recuperada rapidamente em 2025 agora funciona como combustível, aumentando o risco de propagação rápida.

Com o Pantanal em alerta e o início da seca antecipada, o trabalho integrado entre Corpo de Bombeiros, órgãos ambientais estaduais, Ibama e instituições de monitoramento climático será fundamental para manter a proteção do bioma, repetindo os resultados positivos alcançados no ano anterior, quando a área queimada caiu de 2,3 milhões de hectares em 2024 para cerca de 202 mil hectares.