MS deve enfrentar chuvas irregulares e temperaturas acima da média até abril

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Análise do Cemtec mostra tendência de precipitações irregulares entre fevereiro e abril

Previsão do Cemtec aponta trimestre mais quente e com volumes de chuva abaixo do esperado

O céu pode até prometer chuva, mas ela não deve cair de forma equilibrada em Mato Grosso do Sul nos próximos meses. Entre fevereiro, março e abril de 2026, o estado deve enfrentar um trimestre marcado por chuvas irregulares e temperaturas acima do normal, segundo análise divulgada nesta quarta-feira (28) pelo Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec).

De acordo com o órgão, a previsão indica que, apesar de episódios de precipitação, os volumes acumulados tendem a ficar abaixo da média histórica na maior parte do território sul-mato-grossense. O cenário varia conforme a região, mas o padrão geral aponta para distribuição desigual das chuvas.

📉 Chuvas abaixo da média

Com base em dados climatológicos dos últimos 30 anos, o Cemtec destaca que, normalmente, Mato Grosso do Sul registra entre 300 e 500 milímetros de chuva no trimestre que vai de fevereiro a abril. Para 2026, no entanto, os modelos meteorológicos apontam para volumes inferiores a esse intervalo em grande parte do estado.

🌡️ Temperaturas mais elevadas

O comportamento das temperaturas também preocupa. Entre fevereiro e abril, as médias costumam variar de 22°C a 26°C em boa parte do estado. Já na região noroeste, os termômetros geralmente oscilam entre 26°C e 28°C. Para o próximo trimestre, a tendência é de temperaturas próximas ou ligeiramente acima da média histórica, o que indica um período mais quente do que o habitual.

Mesmo após um dezembro de 2025 com chuvas acima da média histórica em várias regiões, os índices de seca ainda persistem em Mato Grosso do Sul. Segundo o Cemtec, grande parte do território apresenta níveis de seca que variam de fraca a grave.

🌧️ Distribuição desigual das chuvas

Em dezembro, os acumulados ficaram entre 150 mm e 300 mm na maior parte do estado, especialmente na região central, além de municípios do norte e do sul. Já volumes menores, entre 50 mm e 150 mm, foram registrados na costa oeste e no nordeste, abrangendo áreas do Pantanal e parte da região do Bolsão, caracterizando chuvas abaixo da média histórica.

🚨 Monitoramento da seca

O levantamento do Cemtec aponta que 28 municípios apresentaram condição de seca fraca, entre eles Campo Grande, Aquidauana, Corumbá, Coxim, Costa Rica, Chapadão do Sul e São Gabriel do Oeste. Nessas cidades, os impactos podem incluir veranicos de curto prazo, atraso no plantio, dificuldades no desenvolvimento de culturas agrícolas e recuperação incompleta de pastagens.

Outros municípios enfrentam situação mais delicada. Inocência, Cassilândia e Ladário aparecem com seca moderada, com riscos de danos às lavouras, níveis baixos em reservatórios e poços, além de possíveis restrições no uso da água.

Já em Aparecida do Taboado e Paranaíba, a seca é classificada como grave, cenário que pode resultar em perdas significativas de culturas e pastagens, escassez frequente de água e adoção de medidas obrigatórias de restrição hídrica.

O Cemtec alerta que o cenário climático reforça a necessidade de atenção redobrada, especialmente para setores como agricultura, recursos hídricos e gestão de riscos climáticos, durante o período que marca a transição do verão para o outono em Mato Grosso do Sul.