Seca no sul de MS preocupa produtores de soja em fase decisiva da lavoura

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(Foto: Aprosoja-MS)

Municípios como Dourados e Fátima do Sul enfrentam déficit de chuvas na fase de enchimento de grãos, período crucial para definir produtividade da safra 2026

O sul de Mato Grosso do Sul vive alerta agrícola. A falta de chuvas e a previsão de precipitações abaixo da média histórica têm pressionado produtores de soja justamente na fase de enchimento dos grãos, momento determinante para definir peso e produtividade das lavouras. A situação afeta municípios como Dourados, Caarapó, Itaporã, Ivinhema e Fátima do Sul, onde a irregularidade climática pode impactar diretamente os resultados da safra 2026.

De acordo com a Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho), a soja depende de irrigação natural contínua durante o enchimento de grãos. A ausência de chuva neste período crítico reduz o rendimento por hectare, mesmo em lavouras que apresentavam bom desenvolvimento vegetativo até então.

Levantamento do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de MS) mostra que, entre 1º e 26 de janeiro, várias cidades do sul do Estado registraram volumes de chuva muito abaixo da média histórica. Em Fátima do Sul, por exemplo, o acumulado foi de 67 milímetros, déficit de 62% em relação ao esperado para o período.

A perspectiva para os próximos meses também preocupa. Entre fevereiro e abril, a média histórica de precipitação varia de 300 a 500 milímetros, mas projeções indicam chuvas irregulares e abaixo do padrão. Segundo a Aprosoja, a região sul concentra o quadro mais delicado da safra: apenas 51,2% das lavouras estão em boas condições, 42,9% em estado regular e 5,9% consideradas ruins.

Técnicos apontam que fatores estruturais amplificam o impacto da seca. Solos arenosos reduzem a retenção de água, altas temperaturas aumentam a evapotranspiração e a baixa população final de plantas limita o potencial produtivo, mesmo com recuperação parcial das chuvas.

O ritmo da colheita também reflete a situação climática. Até 23 de janeiro, apenas 0,7% da área da região sul havia sido colhida. O avanço é maior do que em outras regiões do Estado, mas ainda inferior ao mesmo período da safra passada. A expectativa é que a colheita ganhe ritmo a partir de fevereiro, concentrando-se entre esse mês e meados de março, com conclusão prevista para maio.

Apesar do alerta regional, a estimativa estadual aponta produção de 15,1 milhões de toneladas de soja, com produtividade média de 52,8 sacas por hectare. O acompanhamento climático e ações de manejo serão determinantes para reduzir perdas e garantir o resultado final da safra.