
Após liquidações de instituições financeiras, consumidores e investidores devem usar fontes oficiais e indicadores de risco antes de tomar decisões
Nos últimos meses, boatos sobre problemas em instituições financeiras têm circulado com frequência, gerando preocupação entre investidores e clientes. Com a liquidação de bancos pelo Banco Central desde o fim de 2025, distinguir informações reais de desinformação tornou-se essencial para evitar perdas financeiras e tomar decisões seguras.
Especialistas recomendam que consumidores e investidores utilizem fontes oficiais e indicadores públicos antes de agir por medo. Nem toda notícia alarmista sobre bancos reflete a situação real, e a análise criteriosa pode evitar prejuízos desnecessários.
1. Verifique se o banco é autorizado pelo Banco Central
O primeiro passo é confirmar se a instituição é supervisionada pelo BC. Isso pode ser feito no site do banco central, no caminho: Meu BC → Serviços → Encontre uma instituição. Bancos não autorizados não podem operar legalmente no país.
2. Utilize bases oficiais de dados
Informações confiáveis podem ser obtidas em:
- Central de Demonstrações Financeiras (CDSFN): permite consultar balanços e resultados de cada instituição;
- Banco Data: apresenta indicadores financeiros com cores e gráficos para facilitar a análise de risco;
- Sites de Relações com Investidores (RI): todas as instituições autorizadas pelo BC devem manter uma página com informações financeiras atualizadas.
3. Analise os principais indicadores de solidez
- Índice de Basileia: mede a relação entre capital próprio e riscos assumidos; mínimo exigido é 11% para bancos comuns e 13% para cooperativos. Valores acima de 15% indicam maior capacidade de absorver perdas.
- Lucro líquido recorrente: indica gestão consistente.
- Inadimplência da carteira de crédito: alta taxa de empréstimos vencidos pode sinalizar risco.
- Índice de imobilização: mostra quanto do capital está preso em ativos fixos, reduzindo liquidez.
- Rating de crédito: notas de agências internacionais; rebaixamentos sucessivos são alerta.
4. Confira a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)
O FGC protege até R$ 250 mil por CPF/CNPJ e R$ 1 milhão no total a cada quatro anos. Cobertura inclui: contas correntes e poupança, CDB, RDB, LCIs, LCAs e depósitos a prazo. Investimentos fora da cobertura, como CRI, CRA, debêntures e títulos no exterior, não são protegidos.
5. Desconfie de rentabilidade fora do padrão
Bancos menores podem oferecer taxas mais altas, mas retornos extraordinários geralmente vêm com risco elevado. Para CDBs, a taxa máxima recomendada é 115% do CDI; valores acima disso podem indicar risco.
6. Fique atento a sinais de alerta
Indicadores preocupantes incluem: queda contínua do Índice de Basileia, prejuízos recorrentes, rebaixamento de rating, notícias de investigação ou intervenção e ofertas agressivas de captação.
7. Compare com investimentos mais seguros
Especialistas indicam alternativas com menor risco, como Tesouro Direto e CDBs, LCIs e LCAs de grandes bancos, todos protegidos pelo FGC.
A informação confiável continua sendo a melhor defesa contra boatos e decisões precipitadas. Antes de transferir ou aplicar dinheiro, vale sempre conferir dados oficiais e analisar cuidadosamente os riscos.



















