Captura de Maduro completa um mês: veja o que mudou na Venezuela

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Maduro capturado (Foto: Divulgação)

Bombardeios atingiram bases militares em Caracas; ex-presidente foi levado a Nova York e governo interino assumiu

Explosões ainda ecoavam sobre Caracas quando o dia amanheceu em 3 de janeiro. Alvos militares estratégicos haviam sido atingidos horas antes, e, pouco depois, uma confirmação mudaria o rumo da Venezuela: os Estados Unidos anunciaram a captura de Nicolás Maduro, líder do regime chavista, em uma operação militar de grande escala.

Os bombardeios começaram por volta das 2h (horário local) e atingiram instalações como o quartel-general de Fuerte Tiuna e a Base Aérea La Carlota, na capital venezuelana, além de pontos militares em cidades próximas. Horas depois, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou a ofensiva e a prisão de Maduro.

Detido junto com a esposa, Cilia Flores, Maduro foi retirado do país, levado para Nova York e apresentado à Justiça americana dois dias depois. O casal responde a acusações de narcoterrorismo, tráfico de drogas e armas e conspiração. Ambos se declararam inocentes.

No mesmo dia da apresentação ao tribunal, a então vice-presidente Delcy Rodríguez tomou posse como presidente interina da Venezuela. Desde então, o país passou por uma rápida reconfiguração política e econômica, marcada por declarações públicas de Trump e por decisões que aproximaram Caracas de Washington.

Em entrevistas e postagens nas redes sociais, Trump chegou a afirmar que controlava o governo e o petróleo venezuelanos. Paralelamente, a Venezuela retomou o envio de petróleo aos Estados Unidos e anunciou uma reforma da Lei de Hidrocarbonetos para ampliar a participação de empresas estrangeiras na exploração de petróleo.

Até então, a legislação exigia que companhias estrangeiras atuassem em parceria com a estatal PDVSA, que mantinha o controle majoritário da produção e da comercialização. Com a mudança, empresas poderão operar de forma independente, assumindo riscos e investimentos.

A Casa Branca também anunciou a reabertura da embaixada americana em Caracas, fechada desde 2019, e nomeou Laura Dogu como nova representante diplomática dos EUA para a Venezuela. Em janeiro, Delcy Rodríguez se reuniu com o diretor da CIA, John Ratcliffe, e, nesta segunda-feira (2), encontrou-se com Dogu.

Outra frente de mudança foi a libertação de presos por motivos políticos. Segundo a ONG Foro Penal, ao menos 344 pessoas foram soltas desde 8 de janeiro. O governo chavista fala em mais de 600 libertações, mas não divulgou a lista completa dos beneficiados. De acordo com a entidade, 687 presos políticos ainda permanecem detidos, entre eles 58 estrangeiros.

Na semana passada, Rodríguez enviou ao Legislativo um pedido para aprovação de uma lei de anistia geral. No mesmo período, anunciou o fechamento do Helicoide, antigo centro comercial que se tornou símbolo de denúncias de tortura no país.

Desde a captura de Maduro, a Venezuela vive uma sequência de anúncios, negociações diplomáticas e mudanças estruturais, enquanto o governo interino tenta afirmar autonomia diante da pressão direta dos Estados Unidos e da comunidade internacional.