Campo Grande vai sediar conferência global da ONU sobre espécies migratórias

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Autoridades federais e estaduais durante entrevista coletiva no Auditório do Imasul, no Parque dos Poderes, em Campo Grande, sobre a realização da COP15 das Espécies Migratórias (Foto: Alisson Lacerda/A Critica)

COP15 da Convenção das Espécies Migratórias acontece em março e deve reunir representantes de mais de 130 países

Campo Grande entrou oficialmente no mapa das grandes discussões ambientais globais. Em meio ao Dia Internacional das Áreas Úmidas, a capital sul-mato-grossense foi apresentada, nesta segunda-feira (2), como o palco onde o mundo vai debater o futuro das espécies migratórias. Entre os dias 23 e 29 de março, a cidade vai sediar a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS), reunindo autoridades, especialistas e representantes de mais de 130 países.

O anúncio e os detalhes do evento foram apresentados pelo secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e presidente da COP15, João Paulo Capobianco, durante encontro com a imprensa no auditório do Imasul, no Parque dos Poderes. Também participaram o secretário estadual da Semadesc, Jaime Verruck, e a secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos dos Animais, Rita Mesquita.

Criada em 1979, a Convenção sobre Espécies Migratórias reúne atualmente 133 países e é um dos principais acordos ambientais da Organização das Nações Unidas (ONU). O objetivo é garantir a proteção de animais que cruzam fronteiras ao longo de seus ciclos de vida, como aves, peixes, baleias, tartarugas marinhas e grandes mamíferos terrestres.

Durante a apresentação, Capobianco destacou o papel estratégico do Brasil e do Pantanal no cenário ambiental internacional. “Estamos na maior área úmida continental do planeta, um território essencial para a biodiversidade, o equilíbrio climático e a manutenção dos recursos hídricos”, afirmou. Segundo ele, sediar a COP15 é uma oportunidade para o país reafirmar seu compromisso com o multilateralismo e a cooperação internacional.

O presidente da conferência explicou que as espécies migratórias dependem de uma ação conjunta entre países, já que não pertencem a um único território. “Quando um país protege áreas de pouso, alimentação e reprodução, ele contribui para a sobrevivência de espécies que percorrem milhares de quilômetros”, disse.

Capobianco também ressaltou que o Pantanal funciona como um verdadeiro ‘hub biológico’, servindo de ponto de descanso, alimentação e reprodução para inúmeras espécies ao longo das rotas migratórias. Segundo ele, o desmatamento é uma das principais ameaças a esse equilíbrio.

O secretário Jaime Verruck reforçou que a COP15 tem caráter nacional. “Essa é uma COP do Brasil. Campo Grande foi escolhida após uma candidatura construída com o governo federal, e o Estado está totalmente empenhado para garantir um grande evento”, afirmou. A expectativa é receber cerca de 3 mil participantes de mais de 100 países.

De acordo com Verruck, todas as secretarias estaduais estão mobilizadas para a organização, com foco em segurança, logística, transporte, hotelaria, cultura e turismo. O principal local da conferência será o Bosque Expo, no Shopping Bosque dos Ipês, que sediará a chamada blue zone, área oficial da ONU para plenárias e negociações. Eventos paralelos também estão previstos no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, no Bioparque Pantanal e na Casa do Homem Pantaneiro.

A secretária nacional Rita Mesquita destacou que a CMS é o único tratado internacional dedicado exclusivamente às espécies migratórias. “Quando falamos de migração, estamos falando de mosquito a baleia”, afirmou. Atualmente, a convenção reconhece 1.189 espécies, número que pode ser ampliado a partir das decisões da COP15.

Rita também ressaltou o lema do encontro — “Conectar a natureza para sustentar a vida” — e a preocupação com a realização de uma conferência sustentável, com ações voltadas à redução da pegada de carbono, gestão de resíduos e valorização das populações locais.

Entre os legados anunciados, Capobianco citou o plantio do Bosque da COP15, que deve funcionar como área de absorção de carbono. Ele confirmou ainda a presença da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, além de autoridades de alto nível de diversos países.

“A escolha de Campo Grande vai além da logística. Queremos mostrar uma cidade onde humanos e natureza convivem no mesmo espaço”, concluiu o presidente da COP15.