Confiança do comércio cai 6,1% em Campo Grande no início de 2026

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Pesquisa mostra retração no ICEC e impacto direto do crédito caro sobre consumo e investimentos (Foto: PMCG)

Índice acompanha tendência nacional; intenção de contratar funcionários registra a maior queda, segundo a Fecomércio MS

Mesmo com vitrines cheias e movimento constante no início do ano, o humor dos empresários do comércio em Campo Grande virou para baixo em janeiro de 2026. É o que mostra o ICEC (Índice de Confiança dos Empresários do Comércio), que registrou queda expressiva no primeiro mês do ano, acompanhando a tendência nacional, segundo levantamento da CNC (Confederação Nacional do Comércio), analisado pelo Instituto de Pesquisa da Fecomércio MS (IPF-MS).

Na comparação com dezembro, quando o índice já estava abaixo da linha de confiança — fixada em 100 pontos —, a retração foi de 6,1%. O indicador mais impactado foi o de intenção de contratação de funcionários, que despencou 10,6% no período.

O recuo é ainda mais acentuado quando o comparativo é feito com janeiro de 2025. Em um ano, a confiança dos empresários do comércio na capital sul-mato-grossense caiu 12,3%, refletindo um cenário econômico mais restritivo.

De acordo com a economista do IPF-MS, Regiane Dedé de Oliveira, os segmentos mais afetados variam conforme o período analisado. “Na comparação mensal, as empresas que atuam com bens semiduráveis e não duráveis foram as que mais perderam confiança. Já no comparativo anual, as maiores quedas ocorreram nos segmentos de semiduráveis e duráveis, como eletrônicos, eletrodomésticos e veículos, com retrações de 16,3% e 12,4%, respectivamente”, explica.

Segundo ela, o cenário é influenciado diretamente pelo ciclo de altas da taxa básica de juros, a Selic, que encarece o crédito e desestimula o consumo, especialmente de produtos de maior valor agregado.

A pesquisa também revela uma percepção majoritariamente negativa sobre a conjuntura atual. Mais da metade dos empresários entrevistados (51,1%) avaliam que as condições da economia brasileira pioraram muito, enquanto outros 35,4% consideram que houve piora moderada. A visão pessimista se repete na avaliação do setor e da própria empresa.

Apesar disso, o levantamento aponta sinais de resiliência no horizonte. “Mesmo diante das dificuldades atuais, 55,8% dos entrevistados acreditam em melhora da economia brasileira e do comércio. Quando projetam o futuro da própria empresa, mais de 76% demonstram otimismo”, destaca Regiane.

A íntegra do levantamento pode ser consultada no relatório do ICEC referente a janeiro de 2026.