PIX bate recorde e movimenta R$ 35,3 trilhões em 2025, diz Banco Central

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Segundo o BC, ferramenta superou expectativas e segue em expansão com novas modalidades (Foto: Divulgação/BC)

Valor transferido cresceu 33,6% em um ano, e número de operações chegou a quase 80 bilhões

O PIX movimentou R$ 35,36 trilhões em 2025, maior volume já registrado desde a criação do sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central. O valor representa um crescimento de 33,6% em relação a 2024, quando as transferências somaram R$ 26,46 trilhões, e confirma a consolidação da ferramenta no dia a dia dos brasileiros.

Os números divulgados pelo Banco Central mostram que o avanço não foi apenas em valores. A quantidade de transações também bateu recorde: foram 79,8 bilhões de operações em 2025, contra 63,5 bilhões no ano anterior. Desde 2021, o volume financeiro movimentado pelo PIX cresce de forma contínua e acelerada.

Quando o sistema completou cinco anos, em novembro de 2025, o diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do BC, Renato Gomes, afirmou que o país estava próximo de ter praticamente toda a população adulta usando a ferramenta.
“É essencialmente quase todo adulto no país”, disse, na ocasião.

Segundo Gomes, a velocidade da adoção surpreendeu o próprio Banco Central e teve impacto direto na inclusão financeira.
“Muita gente não usava as contas que tinha. Recebia o salário, sacava tudo e só utilizava dinheiro. Depois do PIX, as pessoas perceberam a conveniência de pagar contas pelo celular e mudaram esse comportamento”, afirmou.

Evolução do PIX

Ao longo dos últimos cinco anos, o PIX deixou de ser apenas uma transferência instantânea e passou a incorporar novas funções. Entre as principais estão o PIX Cobrança, que substitui o boleto bancário, o PIX Saque e PIX Troco, que transformaram estabelecimentos comerciais em pontos de saque, e o PIX Agendado, usado para pagamentos recorrentes.

Outras inovações incluem o PIX por aproximação, inicialmente disponível para Android, o PIX Automático, que amplia o acesso a pagamentos recorrentes semelhantes ao débito automático, e a integração com o Open Finance, que facilita pagamentos iniciados por diferentes plataformas digitais.

Golpes e reforço na segurança

A expansão do sistema também trouxe desafios. Em 2024, o Banco Central registrou R$ 6,5 bilhões em perdas com fraudes envolvendo o PIX, alta de 80% em relação ao ano anterior. Já em 2025, foi identificado o maior ataque hacker já registrado no país, com desvio de R$ 800 milhões de bancos e empresas ligadas ao sistema.

Para conter os crimes, o BC adotou novas medidas, como a coincidência cadastral, que exige que os dados das chaves PIX correspondam às informações da Receita Federal. Também foram endurecidas as penalidades para instituições que descumprem regras de segurança.

Além disso, novas normas passaram a obrigar os bancos a facilitar a restituição de recursos em casos de fraude ou falha operacional, ampliando o rastreamento do dinheiro, mesmo quando os valores são rapidamente transferidos entre contas.

O que vem pela frente

O Banco Central também prepara novas funcionalidades para o PIX. Entre as previstas ainda para este ano estão a cobrança híbrida, que unirá PIX e boleto em um único QR Code, e o uso do sistema para pagamento de duplicatas, facilitando a antecipação de recebíveis.

Outra frente é a adaptação do PIX ao pagamento de tributos em tempo real, dentro da reforma tributária, com previsão de início em 2027. Para os próximos anos, o BC estuda ainda o PIX internacional, o PIX em garantia, voltado ao crédito para autônomos, e o PIX por aproximação offline.

Também segue em debate o PIX Parcelado, que deve funcionar como alternativa ao cartão de crédito para milhões de brasileiros, com regras padronizadas para estimular a concorrência e reduzir juros.