Projeto Sucuriú prevê operação ferroviária exclusiva, ganhos ambientais e redução do tráfego pesado no Vale da Celulose
O som simbólico de uma pá cravada no solo, em Inocência, marcou na sexta-feira (6) o início de uma obra que promete mudar a forma como a celulose produzida em Mato Grosso do Sul chega ao mundo. A Arauco lançou a pedra fundamental da ferrovia do Projeto Sucuriú, um ramal ferroviário privado que vai conectar a nova fábrica da empresa à malha ferroviária nacional.
Considerada estratégica para a logística e para o desenvolvimento do setor florestal, a ferrovia é a primeira short line do Brasil autorizada dentro do novo marco regulatório ferroviário. O evento reuniu autoridades federais, estaduais e municipais, além de executivos da Arauco e parceiros envolvidos no empreendimento.
Com investimento estimado em R$ 2,4 bilhões, o projeto prevê a construção de um ramal com 54 quilômetros de extensão — sendo 45 quilômetros fora da planta industrial e outros nove dentro da fábrica — ligando Inocência à Malha Norte, operada pela Rumo. A estrutura contará com 26 locomotivas e 721 vagões, com capacidade para transportar até 9.600 toneladas por composição.
Segundo a empresa, a adoção do transporte ferroviário trará ganhos operacionais e ambientais expressivos. A expectativa é reduzir em até 94% as emissões de CO₂ na logística da operação e retirar cerca de 190 viagens diárias de caminhões das rodovias do Vale da Celulose, aumentando a segurança viária e a eficiência no escoamento da produção.
“A short line representa um marco dentro do novo arcabouço regulatório ferroviário brasileiro. É um modelo moderno, que amplia a capacidade logística do país e cria condições reais para novos investimentos privados em infraestrutura”, afirmou o presidente da Arauco Brasil, Carlos Altimiras. Para ele, a ferrovia é um dos pilares centrais do Projeto Sucuriú.
A previsão é de que cerca de mil empregos sejam gerados durante as obras, com conclusão até o fim de 2027, alinhada ao início das operações industriais da fábrica de celulose, que terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas por ano.
Para o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Theo Sampaio, o projeto reflete segurança regulatória e previsibilidade. “Projetos bem estruturados e uma regulação bem feita trazem estabilidade e integração multimodal. Quem ganha com isso é o Brasil”, destacou.
O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que a ferrovia resolve um gargalo histórico do Estado. “Ela reduz caminhões nas estradas, diminui conflitos e garante mais segurança. É a reintegração de Mato Grosso do Sul à malha ferroviária nacional”, disse.
Já o governador Eduardo Riedel ressaltou o ambiente favorável aos investimentos privados. “É um grande projeto, fruto de um Estado que governa com visão clara de crescimento. Essa infraestrutura consolida o Mato Grosso do Sul como protagonista global no setor de florestas plantadas”, afirmou.
Durante o evento, também foram formalizadas a ordem de início das obras do gasoduto do Projeto Sucuriú, com investimento de mais de R$ 170 milhões da MSGás, e a implantação de acessos pavimentados na rodovia MS-377, com aporte estadual superior a R$ 26 milhões. Além disso, foi assinado o contrato de concessão da Rota da Celulose, que reúne rodovias estratégicas da região.
Para o prefeito de Inocência, Antônio Ângelo Garcia dos Santos, a obra simboliza a força da cooperação entre o setor público e o privado. “Quando há parceria, os projetos saem do papel e geram desenvolvimento com responsabilidade”, afirmou.




















