Prevenção à gravidez na adolescência é tema de debate na Tribuna da Câmara

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Foto: CMCG

Gravidez na adolescência foi tema de debate na Câmara Municipal de Campo Grande, durante sessão ordinária desta terça-feira, dia 10. A jornalista Eliene Smithmestre em Psicanálise Clínica e escritora, falou na Tribuna sobre cuidados, prevenção e orientação da gravidez precoce. Ela acrescentou a necessidade de campanhas de conscientização. O convite para falar do assunto foi feito pelo vereador Rafael Tavares.

Eliene é autora do livro “Não quero ser mãe”, que aborda as dificuldades enfrentadas por uma adolescente grávida. “Assim como julgam livro pela capa julgam meninos e meninas sem saber a história”, pontuou. Ela lembrou que se trata de problema social e de saúde pública. “A gravidez na adolescência gera vários impactos: social, econômico e psicológico”, disse.

Ela citou que por mês, no Estado, 25 adolescentes com até 14 anos de idade ficam grávidas. No período de 2020 a 2024, foram 1.531 casos, conforme repassado pela jornalista. Eliene acrescentou que é um problema crônico, que resulta em evasão escolar e deixa a população mais marginalizada, pois essas meninas perdem a oportunidade de ingressar no mercado de trabalho.

A jornalista defende a necessidade de o tema ser debatido nas escolas, com foco na conscientização. “Peço que olhem para essa pauta com sensibilidade”, disse aos vereadores. Ela lembrou ainda a importância de os adolescentes terem orientação dentro de casa, para que as meninas possam ter um futuro diferente. Recordou ainda que, muitas vezes, esse problema é silenciado e relembrou dos depoimentos coletados, em que, depois de anos, mulheres carregavam traumas emocionais.

O vereador Rafael Tavares, autor do convite para a jornalista falar do assunto, ressaltou que essa discussão é uma obrigação do vereador, protegendo a inocência das crianças. “Uma sociedade que não protege suas crianças, não protege ninguém”, disse. Ele falou ainda sobre projeto de lei de sua autoria para colocar os pais no debate sobre a gravidez precoce, que deve ter o foco na prevenção à gravidez indesejada e não para flexibilizar o aborto.