Com marchinhas e frevo, Cordão da Valu comemora duas décadas de história

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(Foto: Divulgação/Cordão Valu)

Criado em 2006, bloco saiu de 100 foliões para reunir cerca de 20 mil pessoas neste ano

Entre confetes, fantasias e o som das marchinhas que ecoaram pela Esplanada Ferroviária, o Cordão da Valu transformou o segundo dia de Carnaval em Campo Grande em uma celebração histórica. O bloco, um dos mais tradicionais da capital, comemorou 20 anos levando milhares de foliões às ruas.

Criado em 2006 pelo casal Jefferson Contar e pela professora e produtora cultural Silvana Valu, o Cordão nasceu com o nome de “Cordão do Bar Valu”, em referência ao bar que reunia os primeiros participantes. O desfile inaugural, em 2007, contou com cerca de 100 pessoas — hoje consideradas cofundadoras do movimento.

Duas décadas depois, a dimensão é outra. Mesmo com um pequeno atraso provocado pela chuva, o cortejo com trio elétrico começou por volta das 17h30 e já reunia cerca de 20 mil pessoas, segundo estimativa da organização. A expectativa era alcançar 50 mil foliões até o fim da noite.

“É uma sensação incrível. Vinte anos de Cordão da Valu. A gente persistiu, resistiu e hoje tem esse carnaval de rua maravilhoso em Campo Grande. Estou realizada”, disse Silvana, emocionada.

Além da apresentação deste domingo, o bloco ainda volta às ruas na terça-feira (17), a partir das 15h, para encerrar a programação.

Tradição que atravessa gerações

O crescimento do público ao longo dos anos é visível. A artista Antônia Regina participa desde o início e afirma que não perde uma edição. “Quem vinha quando criança já está adulto, tendo filhos. É fantástico ver isso”, contou.

A jornalista Thais Pompeo também acompanha o bloco há anos e, atualmente, leva a filha de 7 anos para curtir a festa. “O carnaval aqui tem cara de vila, é acolhedor e tem tudo a ver com a nossa cidade”, afirmou.

Para muitas famílias, o Carnaval de rua é também espaço de aprendizado e convivência. O casal Augusto e Renéria levou o filho Nicolas para a folia e destacou a importância de apresentar a diversidade cultural à criança. “É bom mostrar que todos são iguais, que é preciso respeitar as diferenças”, disse Renéria.

Augusto relembra os carnavais da infância em Aquidauana e afirma que manter a tradição é uma forma de fortalecer a cultura local. “A infância é diversão, mas também é conhecer a diversidade. Ele gosta de música, então é importante apresentar essa forma brasileira de celebrar”, afirmou.

Reconhecimento e parceria

Neste ano, o bloco foi homenageado pelo Farofolia, reforçando a integração entre os eventos carnavalescos da capital. Para Silvana Valu, o reconhecimento simboliza a consolidação do carnaval de rua em Campo Grande.

O Cordão da Valu nasceu no Dia Nacional do Samba, em 2 de dezembro de 2006, e desde então se consolidou como um dos principais símbolos da folia na cidade. Ao completar 20 anos, o bloco reafirma sua proposta original: ocupar as ruas com fantasia, música e celebração da cultura brasileira.