Gesto de socorro universal leva PM a flagrar caso de violência doméstica

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Sinal silencioso interrompe possível novo episódio de violência contra mulher em Sidrolândia (Foto: Foto: David Emanuel/Tribuna do Norte)

Mulher relatou agressões, ameaças de morte e descumprimento de medida protetiva; suspeito foi encaminhado à delegacia

Um gesto silencioso feito com a mão chamou a atenção de policiais militares e terminou com a condução de um homem suspeito de agredir e perseguir a ex-companheira, na noite desta segunda-feira (16), em Sidrolândia.

O caso foi registrado como lesão corporal dolosa no contexto de violência doméstica, descumprimento de medida protetiva e perseguição. A ocorrência foi atendida por uma equipe da Força Tática por volta das 20h50, na Rua Tomás da Silva França, no bairro São Bento.

Segundo o boletim de ocorrência, durante policiamento preventivo e ostensivo, os militares visualizaram uma mulher acompanhada de um homem. Ao perceber a viatura, ela fez um gesto com a mão que, conforme os policiais, se assemelha ao sinal universal de pedido de socorro utilizado por vítimas de violência doméstica.

Diante da situação, a equipe realizou a abordagem e separou a mulher do homem para garantir a segurança dela e esclarecer os fatos. A vítima, de 4 anos, relatou que vinha sendo seguida pelo ex-companheiro, 37 anos, e que sofreu agressões físicas ao longo do dia.

Conforme o relato, o suspeito teria puxado seus cabelos e tentado forçá-la a entrar na residência dele. No momento da abordagem, ela afirmou que estava sendo alvo de violência psicológica, com palavras constrangedoras e ameaças de morte.

A mulher também apresentou pequenas marcas de queimaduras nos braços, que, segundo informou aos policiais, teriam sido provocadas pelo ex-companheiro com bitucas de cigarro. Ela declarou ainda possuir medida protetiva de urgência contra o suspeito, mas não estava com o documento no momento da abordagem.

A equipe informou que não havia, naquele momento, meios para confirmar a existência e a situação da medida protetiva. Ainda assim, a vítima foi acolhida e encaminhada para atendimento especializado na Delegacia de Polícia Civil de Sidrolândia.

O suspeito foi informado sobre as acusações e, segundo a polícia, teve seus direitos constitucionais garantidos, incluindo o direito de permanecer em silêncio e de ser assistido por advogado. Ele optou por prestar esclarecimentos e negou ter praticado agressões físicas ou psicológicas, afirmando que ainda mantém convivência com a mulher.

O caso será apurado pela Polícia Civil, que deverá investigar as circunstâncias das agressões relatadas e a eventual existência de medida protetiva em vigor.

Sinal de Ajuda

O gesto com a mão mencionado pelos policiais se refere ao chamado “Sinal de Ajuda” (Signal for Help), um código silencioso criado para que vítimas de violência doméstica possam pedir socorro de forma discreta, sem alertar o agressor.

Como é feito o gesto?

O sinal é simples e pode ser realizado com apenas uma mão:

  1. A pessoa levanta a mão com a palma voltada para fora.
  2. Dobra o polegar para dentro da palma.
  3. Em seguida, fecha os quatro dedos sobre o polegar.
Gesto de socorro universal leva PM a flagrar caso de violência doméstica

O movimento pode ser repetido para reforçar o pedido de ajuda.

Qual é o objetivo?

O gesto foi criado em 2020 pela organização canadense Canadian Women’s Foundation, durante o período de isolamento social da pandemia, quando aumentaram os casos de violência doméstica. A proposta era oferecer uma forma silenciosa e segura de pedir ajuda em situações presenciais ou até mesmo em chamadas de vídeo.

Por que é importante?

  • Permite que a vítima peça ajuda sem falar.
  • Pode ser usado em locais públicos, em vídeo ou diante de terceiros.
  • É reconhecido internacionalmente como um sinal de que a pessoa está em risco.

Quando policiais ou outras pessoas identificam o gesto, a recomendação é não confrontar o possível agressor imediatamente, mas buscar uma forma segura de abordar a situação e oferecer apoio à vítima.