Ex-governador, deputados e vereadora festejam derrota da escola que homenageou Lula

9
Com cinco carros alegóricos, a Acadêmicos de Niterói foi a primeira a desfilar no Grupo Especial - (crédito: João Salles | Riotur)

O ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) celebrou nessa quarta-feira (18) o rebaixamento da Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro. A escola levou para a avenida o samba-enredo “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”, em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e se tornou alvo de questionamentos até mesmo na esfera judicial, classificado por políticos como propaganda eleitoral antecipada.

Em um post nas redes sociais, Azambuja escreveu: “O TROCO VEIO A CAVALO. A Escola de Samba Acadêmicos de Niterói recebeu o merecido rebaixamento após um desfile panfletário, maldoso e preconceituoso que, sob o pretexto de bajular o Lula, tentou ridicularizar a família, o agro, dois ex-presidentes da República e valores conservadores presentes na sociedade brasileira. Não poderia haver resposta mais simbólica: último lugar. Que sirva de lição e aviso. A eleição vem aí!”.

Ele não foi o único político sul-mato-grossense a se manifestar sobre o caso. O deputado federal Rodolfo Nogueira (PL), conhecido como ‘Gordinho do Bolsonaro’, escreveu: “A resposta veio mais rápido do que imaginávamos. Parece que a lacração não sustentou a nota dos jurados. Enquanto a militância tentava atacar os nossos valores, esqueceram de ensaiar o básico: bom senso e respeito. No fim das contas, quem apostou na provocação colheu o resultado”.

Outro que celebrou o rebaixamento da escola para a Série Ouro, equivalente à segunda divisão do desfile carnavalesco, foi o deputado estadual João Henrique Catan (PL), que compartilhou a notícia no seu perfil com a seguinte frase: “deu ruim. Seria um prenúncio?”. Já os vereadores Ana Portela (PL) e Rafael Tavares (PL) e o deputado federal Marcos Pollon (PL) também comentaram o assunto. Veja todas as publicações abaixo:

Entenda o caso

A apresentação da escola de Niterói virou ponto de polêmica por suscitar na oposição alegações de propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder econômico pela suspeita de que a primeira-dama Janja teria levantado recursos privados com empresários para engordar o caixa da escola.

A Acadêmicos também recebeu recursos do governo federal via Embratur, assim como as demais 11 agremiações da principal divisão do Carnaval carioca. O samba-enredo trouxe referências à trajetória política e social do petista, incluindo o jingle clássico lançado na primeira disputa à Presidência, em 1989: “Olê, olê, olê, olá, vai passar nessa avenida mais um samba popular; olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”.

O desfile trouxe críticas a adversários, como um preso vestido de palhaço com a tornozeleira eletrônica queimada, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e uma ala que retratava evangélicos em latas de conserva, irritando membros desse segmento religioso.

O Planalto vetou a participação de ministros e aliados com pretensões eleitorais no desfile. Prevista como destaque do último carro alegórico, Janja deu para trás na última hora por temores de comprometer Lula e arriscar causar complicações com a Justiça Eleitoral.

O casal presidencial assistiu às quatro escolas que percorreram a Marquês de Sapucaí no domingo do camarote da Prefeitura do Rio. Lula desceu à avenida para beijar o estandarte da Acadêmicos de Niterói, mas também o da Imperatriz Leopoldinense, Portela e Mangueira, para evitar alimentar discursos de preferência pela escola que o homenageou.

A lei eleitoral entende como abuso de poder político e econômico o uso indevido de cargo ou função pública, com dinheiro do erário, para obter votos para determinado candidato e desequilibrar a disputa. Já a propaganda eleitoral antecipada precisa conter um pedido explícito ou expressões correlatas (as chamadas “palavras mágicas”) que induzam o voto.