Boletim aponta redução da seca, mas mantém alerta para déficit hídrico em parte do estado
Com máquinas no campo e atenção redobrada ao clima, Mato Grosso do Sul já colheu 14,9% da área de soja monitorada na safra 2025/2026. O dado consta em boletim divulgado pela Aprosoja MS (Associação dos Produtores de Soja e Milho) e aponta avanço dos trabalhos, embora em ritmo inferior ao registrado no mesmo período da safra passada.
O levantamento reúne informações coletadas por técnicos junto a produtores, sindicatos rurais e empresas de assistência técnica das regiões Norte, Centro e Sul do estado. O índice atual representa crescimento em relação ao boletim anterior e confirma a intensificação das operações no campo.
Apesar do avanço, a colheita ainda reflete os impactos das chuvas irregulares e do excesso de umidade observados em janeiro. Os gráficos de evolução mostram ritmo desigual entre as regiões monitoradas. O Sul concentra o avanço mais acelerado, favorecido por calendário mais adiantado e por condições climáticas mais estáveis nas últimas semanas. O Centro mantém desempenho intermediário, enquanto o Norte registra colheita pontual, com menor participação no total já colhido.
Em relação às condições das lavouras, a maior parte das áreas apresenta desempenho considerado positivo. Do total avaliado, 67,2% estão classificadas como boas, 21,5% como regulares e 11,3% como ruins. As regiões Norte e Oeste concentram a maior proporção de áreas bem desenvolvidas.
No detalhamento regional, o Sul apresenta maior presença de áreas regulares, o que ajuda a explicar o avanço mais cauteloso em parte dos municípios. Já o Centro e o Sudoeste mostram equilíbrio entre lavouras boas e regulares. O Sudeste mantém predominância de áreas em boas condições, apesar de pontos isolados com restrição hídrica.
As condições climáticas seguem como principal variável para o ritmo da colheita. Em dezembro de 2025, o estado registrou forte variação no volume de chuvas entre os pontos monitorados: parte das estações ficou abaixo da média histórica, enquanto outras superaram o volume esperado para o período.
O índice padronizado de precipitação indica redução na intensidade da seca em relação ao mês anterior. Mesmo assim, o boletim aponta déficit hídrico na região do bolsão nas escalas de três, seis e doze meses. No Centro-Sul, os indicadores mostram excedente de chuva no curto prazo.
Para o trimestre entre fevereiro e abril, a previsão aponta chuvas irregulares em Mato Grosso do Sul, com volumes abaixo da média histórica em parte do território. As temperaturas devem permanecer próximas ou levemente acima do normal, com tendência de calor mais intenso no noroeste. O cenário climático também indica alta probabilidade de neutralidade do fenômeno El Niño no período.



















