
Produção nacional cresce com pré-sal e Estado aposta em diversificação de contratos
Mesmo com a redução nas importações de gás natural da Bolívia, o abastecimento em Mato Grosso do Sul está garantido. A afirmação é da presidente da MSGÁS, Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt, que descarta risco energético no Estado e aponta que o consumo local é pequeno diante da oferta disponível no mercado nacional.
Em 2025, o Brasil importou, em média, 9 milhões de metros cúbicos de gás boliviano por dia — volume inferior aos 13 milhões registrados em 2024. No passado, o país chegou a comprar até 30 milhões de metros cúbicos diários da Bolívia. A retração está ligada à queda na produção do país vizinho, após anos de investimentos reduzidos no setor.
Ao mesmo tempo, a produção brasileira avançou, impulsionada pelo pré-sal, e atingiu cerca de 34 milhões de metros cúbicos por dia. Para efeito de comparação, Mato Grosso do Sul consome aproximadamente 500 mil metros cúbicos diários — fração considerada pequena dentro do sistema nacional.
“A redução das importações do gás boliviano não gera impactos sobre o abastecimento local”, afirmou Cristiane Schmidt.
Diversificação de contratos
A MSGÁS mantém contratos com diferentes fornecedores. Embora a maior parte do gás ainda seja adquirida via Petrobras, a companhia já negocia com outros importadores.
Com o avanço do mercado livre de gás, grandes indústrias instaladas no Estado, como Suzano e Eldorado, passaram a comprar diretamente de produtores, enquanto a distribuidora segue responsável pela operação da rede e pela entrega do insumo.
A empresa também recebeu autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para importar até 150 mil metros cúbicos por dia da Argentina, especialmente da região de Vaca Muerta. Segundo a presidente, a estratégia é ampliar alternativas. “O objetivo é estar preparada para surfar qualquer tipo de onda”, disse.
Impacto fiscal preocupa
Se o risco de desabastecimento está descartado, o principal reflexo da queda nas importações aparece nas contas públicas. A arrecadação de ICMS sobre o gás boliviano caiu 43% em janeiro deste ano na comparação com o mesmo mês de 2025, passando de R$ 151 milhões para R$ 82 milhões.
Em períodos anteriores, o imposto sobre o gás já representou quase 30% da arrecadação estadual. Atualmente, o peso é menor, mas ainda relevante para o caixa do governo.
Dados do Comsefaz indicam que o ICMS real de Mato Grosso do Sul recuou 1,5% em 2025 frente a 2024, já descontada a inflação, em meio a um cenário de desaceleração econômica.
Expansão e novos projetos
Enquanto acompanha o cenário internacional, a MSGÁS mantém planos de expansão da rede no Estado. Está previsto um ramal de 125 quilômetros para atender à futura fábrica da Arauco, entre Três Lagoas e Inocência, além de negociações com a Bracell, que projeta investir até R$ 25 bilhões em Bataguassu.
Em Dourados, a companhia iniciou a operação com transporte de gás natural comprimido a partir de Campo Grande.
A estratégia, segundo a direção da empresa, é reduzir a dependência externa, diversificar o suprimento e acompanhar o avanço industrial de Mato Grosso do Sul, garantindo segurança energética mesmo em um cenário de mudanças no mercado internacional.



















