Daiane Muniz, experiente na arbitragem nacional e internacional, recebeu apoio da FPF e teve o caso encaminhado à Justiça Desportiva
A derrota do Red Bull Bragantino para o São Paulo, neste sábado (21), terminou em polêmica fora das quatro linhas. A árbitra Daiane Caroline Muniz dos Santos, natural de Três Lagoas (MS), foi alvo de comentários machistas do zagueiro Gustavo Marques, que questionou sua capacidade de apitar partidas decisivas apenas por ela ser mulher. As declarações geraram repercussão nacional e motivaram pedidos de desculpas do atleta e do clube.
O episódio ocorreu logo após a vitória do São Paulo por 2 a 1, resultado que eliminou o Bragantino do Campeonato Paulista. Em entrevista à imprensa, Gustavo afirmou que não acreditava que Daiane tinha “capacidade de apitar um jogo desse tamanho” e sugeriu que mulheres não deveriam arbitrar partidas importantes, comentários que repercutiram negativamente dentro e fora do futebol.
Daiane Muniz possui trajetória reconhecida no futebol. Em 2020, tornou-se a primeira árbitra a atuar como principal em um jogo masculino do Campeonato Sul-Mato-Grossense. Atualmente, integra o quadro de árbitros de vídeo (VAR) em competições nacionais e possui experiência internacional, tendo atuado na Copa do Mundo Feminina Sub-20, em 2022, e na Copa do Mundo Feminina de 2023.
Após o episódio, o Red Bull Bragantino divulgou nota oficial repudiando as falas do jogador e informou que Gustavo Marques foi ao vestiário da arbitragem pedir desculpas à árbitra e à equipe. O clube ainda informou que estuda aplicar punições internas ao atleta.
A Federação Paulista de Futebol (FPF) também se manifestou, classificando os comentários como machistas e incompatíveis com os valores do esporte. Em nota, a entidade reforçou apoio total à árbitra e encaminhou o caso ao Tribunal de Justiça Desportiva, que analisará eventuais sanções.
Gustavo Marques voltou a se desculpar publicamente, alegando arrependimento e afirmando que foi xingado por familiares, mas as desculpas não eliminam a possibilidade de punição conforme o artigo 243 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que prevê sanções de 30 a 180 dias para atos discriminatórios ou ultrajantes baseados em gênero.
O episódio reacende o debate sobre machismo no futebol e a importância de medidas para garantir respeito e segurança para mulheres que atuam no esporte, seja em campo ou na arbitragem.




















